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Mulheres suíças em greve pela igualdade de género

No dia em que a primeira greve de mulheres suíças fez 28 anos, uma nova greve lembra que ainda há diferença salarial entre géneros, assédio no trabalho e violência de género.
Foto de Twitter

As 15 horas e 24 minutos desta sexta-feira marcam o ponto de partida para a greve laboral das mulheres suíças. E a hora não foi escolhida ao acaso. Pelos cálculos da organização é quando as mulheres deste país deviam parar de trabalhar de forma a ganhar proporcionalmente o mesmo que os homens ganham. Segundo a Organização Mundial do Trabalho, na Suíça, os homens ganham em média 12% mais do que as mulheres. Nos cargos superiores a diferença aumenta para 18,5%. E, longe da percepção de que esta distância está condenada a desaparecer, os dados do governo mostram que, desde 2000, a situação até piorou.

Mas como a greve não é apenas devida a questões laborais nem se limita a ser uma greve ao trabalho, o protesto não esperou por esta hora. Segundo a Amnistia Internacional, a cada duas semanas uma mulher morre na Suíça devido a violência doméstica e um quinto das mulheres deste país diz já ter sofrido comentários sexistas, assédio e outros tipos de violência sexista. Na lista de reivindicações inclui-se ainda a questão do trabalho não remunerado, 60% do qual é feito por mulheres.

Para além da greve laboral, houve uma greve ao trabalho doméstico, aos cuidados e ao consumo, esclareceu ao Le Parisien Anne Fritz, coordenadora da mobilização na União Sindical Suíça

Por isso, foi logo à meia noite em várias cidades que as suíças começaram a sair à rua. Por exemplo, em Lausanne centenas de mulheres marcharam até ao centro da cidade, num protesto barulhento com apitos e o bater de tachos e panelas e expressivo com cartazes que diziam, por exemplo, “não, quer dizer não”, “não sou uma princesa mas a mulher que escolhi ser” ou não me libertes, eu liberto-me por mim própria”.

Estava dado o mote para uma jornada de luta que ecoou o protesto massivo que aconteceu a 14 de junho de 1991. Num dia que fez história, meio milhão de suíças fizeram greve, bloquearam os transportes públicos e manifestaram-se enchendo as ruas do país de roxo em nome da igualdade. Apenas dez anos antes, tinha entrado em vigor uma lei de Igualdade de Género que proibia a discriminação das mulheres no local de trabalho e introduzia várias outras clausulas que tardavam, contudo a fazer-se sentir nas suas vidas.

E, dizem, o mesmo continua ainda a suceder. À Reuter, Tamara Knezevic, uma das organizadoras do protesto esclareceu que “percebemos que até depois dessa primeira greve de 1991, as coisas não mudaram realmente. A igualdade encontra-se inscrita na Constituição mas a igualdade real, material, efetiva não existe para todas as mulheres.”

Knezevic diz que há muitas razões para “criar esta frente de protesto popular de mulheres” uma vez que as leis e mudanças “ainda não foram obtidas de vez”.

As manifestantes resumiram o protesto dizendo que é preciso “mais tempo, dinheiro e respeito” para as mulheres.

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