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Mulheres dos estivadores escrevem a António Costa

Em solidariedade com a greve que foi prolongada até 16 de junho, as mulheres dos estivadores escreveram ao Primeiro Ministro a descrever as condições de trabalho no Porto de Lisboa.
Foto de Setc - Sindicato dos Estivadores/Flickr.

O Setc - Sindicato dos Estivadores entrou em greve “contra a precariedade, pelo contrato coletivo de trabalho e contra a substituição de trabalhadores com direitos por outros com salários de miséria”. Na semana passada, na quinta-feira, os estivadores do Porto de Lisboa prolongaram o pré-aviso de greve até ao dia 16 de junho a todo o trabalho para além do turno, mas também aos turnos em que as empresas coloquem trabalhadores estranhos à profissão ou que não integrassem o contingente efetivo e eventual à data de 15 de Setembro de 2015, e às operações em que intervenham empresas externas de movimentação de cargas contratadas pelas empresas portuárias.

Em solidariedade com a sua luta, as mulheres dos estivadores assinaram, no blog “Há Flores no Cais”, uma carta destinada a António Costa, descrevendo as duras condições de trabalho no Porto de Lisboa. “Os nossos maridos trabalham não raras vezes 80 horas semanais. Nunca, em momento algum, ganharam mais do que 12.20 euros à hora brutos. O salário normal é 8 euros à hora brutos. (…) Há sete homens no porto que estão no escalão máximo de 12 euros, todos os outros ganham menos. Quando abrimos a televisão e ouvimos dizer que ganham 5 mil euros pensamos que estamos num talk show de baixa qualidade”, descrevem.

As mulheres dos estivadores prosseguem, afirmando que “somos nós que assumimos todo o trabalho doméstico. (…) Os pais quando vêm a casa estão exaustos, sem força para nada. Ao fim de semana, sozinhas sempre – porque os turnos não param – não temos força para nos levantar e levar as crianças a passear. O tempo que nos sobra é para limpar e arrumar a casa sozinhas – claro, se eles estão 80 horas no porto quem o faz?”.

Por último, na missiva, as mulheres dos estivadores aproveitam para criticar a concessão do porto de Lisboa a empresas privadas, e convidam o Primeiro Ministro a visitá-las, para que lhe mostrem como vivem. “Não o vimos aqui no porto, porto público, que o senhor autoriza que seja concessionado a privados. Não compreendemos por que é que o porto, uma faixa de terra de todos nós, é concessionado a empresas privadas que todos os anos dão milhões de euros de lucro. Convidamo-lo a vir ao porto, a nossas casas, conhecer as nossas famílias, ouvir-nos para que lhe possamos contar pessoalmente as nossas vidas”.

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