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Movimento nacional contra “atentado patrimonial” em Viseu

Um movimento cívico nacional está a promover uma petição contra as obras que a Câmara Municipal de Viseu quer fazer no Mercado 2 de Maio. Peticionários acusam a autarquia de desrespeitar o projeto de Álvaro Siza. Notícia publicada no Interior do Avesso.
Nova cobertura do Mercado 2 de Maio em Viseu
Nova cobertura do Mercado 2 de Maio em Viseu - Foto retirada do site da Estação Diária Jornal

A carta aberta da petição, divulgada com o conhecimento de Álvaro Siza, pede ao Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, que revogue a decisão de executar o projeto de alteração e cobertura da Praça 2 de Maio.

Os signatários da carta incluem nomes de diversas áreas, como a Arquitetura, História da Arte, Património, Gestão e Programação Cultural, que consideram o projeto um “desrespeito despudorado pelo trabalho autoral e pelo património da cidade” por parte do atual executivo camarário do PSD, que ignora “os Arquitetos Álvaro Siza e António Madureira, autores do projeto executado nos anos 90 do século XX”.

A petição defende que a revitalização do centro da cidade não pode “afetar de modo lesivo existências arquitetónicas e componentes patrimoniais”, o que não está a ser cumprido. O projeto de cobertura da praça está em “desacerto” e “profunda dissonância com o lugar e com a envolvente”, constituindo “um grave e inadmissível atentado patrimonial e urbanístico.”

Curiosamente, existe um projeto de alteração ao projeto executado, que inclui a cobertura do espaço, apresentado pelo próprio Arquiteto Álvaro Siza a pedido do anterior executivo camarário, mas cuja obra nunca foi executada. Neste sentido, a petição questiona: “onde está, atualmente, o projeto de alteração/cobertura da Praça 2 de Maio, desenhado a posteriori pelo Arquiteto Álvaro Siza?”, exigindo “o direito à sua divulgação pública e à sua discussão alargada.”

Em 2015 o Município de Viseu dinamizou o “Concurso de Ideias para a Revitalização do Mercado 2 de Maio”, que, segundo a petição, “por ser incompreensivelmente impositivo e determinar, a priori, a solução a adotar, eliminou quaisquer possibilidades de intervenção e revitalização distintas, adequadas e qualificadas”.

“Após o concurso, foram apresentadas publicamente as 3 propostas vencedoras. Porém, desconhecendo-se resultados de qualquer debate ou consulta pública, o Município decidiu avançar com a proposta classificada em 2.º lugar” para a execução, da qual abriu concurso público no final de 2019, um investimento superior a 4 milhões de euros.

Situada no centro da cidade de Viseu, entre o Adro da Sé e o Rossio, a Praça 2 de Maio albergou durante mais de um século o mercado de Viseu, tendo sido transformada nos anos 90 num espaço aberto à cidade através de um projeto dos arquitetos Álvaro Siza e António Madureira.

Notícia publicada no Interior do Avesso.

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