Motoristas que fizeram greve queixam-se de represálias dos patrões

30 de September 2019 - 15:48

Os motoristas de matérias perigosas acusam os patrões de tentar “impor represálias” aos trabalhadores que participaram na greve do início deste mês. Processos disciplinares, suspensões, ameaças de despedimento e serviços mais longe de casa estarão a ser utilizados para os punir.

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Greve dos camionistas de matérias perigosas. Foto de Carlos Barroso. Lusa.
Greve dos camionistas de matérias perigosas. Foto de Carlos Barroso. Lusa.

Segundo o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas, as empresas de transporte de mercadorias estarão a “impor represálias” aos motoristas que aderiram à greve do início de setembro.

O SNMMP enviou uma “carta aberta” ao primeiro-ministro para o instar a “agir imediatamente na proteção destes trabalhadores” de forma a “fazer cessar o ‘massacre’ que está a ser feito contra os mesmos”. Se nada for feito, os sindicalistas garantem que irão recorrer a “instituições judiciais europeias” porque consideram que estão a ser cometidas contra os motoristas “enormes ilegalidades e atentados”.

Em declarações à TSF, Francisco São Bento, presidente deste sindicato, explicou que já na anterior greve se tinham registado casos de pressões mas que estas se intensificaram a partir de agosto e setembro. Dá como exemplo a suspensão do tesoureiro do sindicato e avança com “entre quatro a cinco dezenas de processos disciplinares que foram implementados aos trabalhadores”. A eles somam-se outras represálias como a deslocação dos grevistas para longe de casa. Haverá trabalhadores que faziam serviços a dez quilómetros de casa que estão a ser obrigados a prestar serviços a mais de 100 quilómetros.

A carta cita os nomes das empresas Transportes Paulo Duarte, Lda., TIEL – Transportes e Logística S.A., Atlantic Cargo S.A., TML – Transportes os Três Mosqueteiros, Lda., Transportes Rodoviários J. Barroso, Lda. “entre outras” que “têm vindo sem qualquer pudor ou receio de sofrerem sanções a impor represálias aos trabalhadores que aderiram à greve”. O SNMMP responsabiliza a António Costa uma vez que estas “se sentem protegidas por V.ª Ex.ª tendo em conta a posição adoptada” pelo primeiro-ministro durante o período da greve. E exige uma alteração de postura “para agir imediatamente na proteção destes trabalhadores”.