Isaura Borges Coelho era enfermeira de profissão, lutadora contra o regime fascista e foi durante toda a sua vida uma lutadora pelos direitos das enfermeiras.
Presa em 1954 pela polícia política da ditadura (PIDE) foi acusada de pertencer ao MUD juvenil e condenada a dois anos de prisão. Esteve presa durante quatro anos e “a sua vida esteve por um fio e, quando pesava cerca de 30 quilos”1, a PIDE foi obrigada a interná-la.
“Mulher corajosa e de uma grande doçura, desde sempre admirada pela determinação com que, ainda jovem, enfrentou e desafiou o regime, Isaura é uma figura emblemática da luta das enfermeiras e na Resistência contra o fascismo”, afirma Helena Pato, no testemunho que escreve no Jornal Tornado2.
Isaura Borges Coelho destacou-se na luta das enfermeiras por melhores condições de trabalho e pelo direito de casarem. As enfermeiras tinham então longos horários de trabalho e o casamento era-lhes vedado. De salientar que um decreto-lei aprovado em 1938 proibia as enfermeiras de casarem. Esse decreto impunha que “nos lugares dos serviços de enfermagem e domésticos (serviço interno) a preencher por pessoal feminino, só poderão de futuro ser admitidas mulheres solteiras e viúvas, sem filhos, as quais serão substituídas logo que deixem de verificar-se estas condições”. A proibição do casamento só terminaria em 1963.
Quando esteve presa, a PIDE apelidava-a como a “casamenteira”, um insulto que se transformou de facto num elogio.
Isaura Borges Coelho casou com António Borges Coelho no Forte de Peniche, quando o historiador estava preso por ser funcionário do PCP, 1957-1962.
Em 2002, o Presidente Jorge Sampaio condecorou Isaura Borges Coelho com a Ordem da Liberdade.
Isaura Borges Coelho foi distinguida, em 11 de dezembro de 2018, com o título de cidadã benemérita e com a Medalha de Honra do Município de Portimão, pela Câmara de Portimão.
Atualização a 13/6/2019:
O velório realiza-se no dia 13 de Junho, a partir das 18.00h no Centro Funerário de Cascais da Servilusa. A cremação tem lugar no dia 14 de Junho, no mesmo local, pelas 13.30h.
Notas:
1 Ler artigo de Helana Pato no Jornal Tornado.
2 Idem