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Morreu Gaid Salah, chefe do exército da Argélia

Morte de General argelino ocorre quando as manifestações nas ruas exigiam a sua retirada e o fim da intromissão do exército no governo do país.
Morreu Gaid Salah, chefe do exército da Argélia
Foto de Abdelhakim chenaf/Wikimedia Commons.

Ahmed Gaid Salah, o poderoso chefe do exército da Argélia e líder de facto do país, morreu esta segunda-feira. De acordo com o noticiado pela rádio estatal do país, Salah morreu no hospital militar após um ataque cardíaco. 

Salah era o líder de facto do país após o movimento pró-democracia ter afastado do governo no passado mês de abril o presidente Abdelaziz Bouteflika, há décadas à frente do país e que há muito não falava em público.

Aos 79 anos, Gaid Salah foi parte importante na marcação de eleições e no início do ano chegou a gravar um discurso que posteriormente foi divulgado pelas televisões onde pedia a Bouteflika que abandonasse o cargo.

Posteriormente, foi a seu mando que o exército conduziu uma série de detenções a apoiantes do ex-presidente numa alegada campanha anti-corrupção vista como uma purga de rivais dos órgãos do poder. 

As manifestações que têm ocorrido nas ruas do país levaram à marcação de eleições presidenciais para 12 de dezembro. Segundo a Reuters, Abdelmajid Tabboune, o novo presidente da Argélia, declarou uma semana de luto nacional e nomeou o General Said Chengriha, chefe de um dos ramos das forças armadas, para o substituir como chefe do exército. 

Porém, a queda de Bouteflika, a marcação de eleições e a eleição de Tabboune não foram suficientes para calar os protestos nas ruas. Os manifestantes exigiam também que Gaid Salah abandonasse o cargo e deixavam claro querer “um Estado civil, não um Estado militar”. 

Continua a não ser clara a forma como o governo da Argélia irá lidar com os protestos nas ruas que duram desde fevereiro e que não diminuíram com a eleição de Tabboune na passada semana. Embora o novo presidente tenha falado em diálogo no seu discurso de inauguração, desde que foi eleito que a repressão nas ruas aumentou de intensidade, bem como o número de manifestantes detidos.

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