You are here

Morreu Eduardo Lourenço (1923-2020)

Eduardo Lourenço, professor, ensaísta e filósofo, morreu esta terça-feira, tinha 97 anos e era membro do Conselho de Estado. “Será homenageado como um pensador da esquerda e um criador de pontes, como era”, salienta Francisco Louçã.
Eduardo Lourenço (1923-2020) – Foto de António Pedro Santos/Lusa
Eduardo Lourenço (1923-2020) – Foto de António Pedro Santos/Lusa

Destacado ensaísta, Eduardo Lourenço era professor, filósofo, escritor e crítico literário.

Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Alta. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra, em 1946, tornou-se assistente e publicou "Heterodoxia" em 1949.

Foi Leitor de Cultura Portuguesa nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, em Montpellier e no Brasil, e veio a fixar-se na cidade francesa de Vence, em 1965, com atividade pedagógica nas principais universidades francesas. Foi também conselheiro cultural da Embaixada Portuguesa em Roma.

É autor de mais de 40 títulos, tendo desde sempre "um olhar inquietante sobre a realidade", como destacaram os seus pares.

Algumas das principais obras são “O Labirinto da Saudade" e "Fernando, Rei da Nossa Baviera" e, de entre os diversos prémios que recebeu destacam-se o Prémio Camões (1996) e o Prémio Pessoa (2011). Tinha diversas condecorações em Portugal e em França.

"Na verdade, falo de mim em todos os textos", disse Eduardo Lourenço sobre a sua obra, citado pelo Centro Nacional de Cultura, nas páginas que lhe dedica online. "Cada um dos assuntos por que me interesso daria para ocupar várias pessoas durante toda a vida. [Mas como] não possuo vocação heteronímica, tenho procurado encontrar um nexo entre as minhas diversas abordagens da realidade".

Sobre Eduardo Lourenço, escreve hoje Francisco Louçã no facebook:

“Será lembrado como o ensaísta mais marcante das últimas décadas, e era-o. Será venerado como um exigente europeista, que não cedia ao maniqueísmo financeiro, e era-o certamente. Será homenageado como um pensador da esquerda e um criador de pontes, como era. E deve ser recordado como um ser humano excepcional, de amizade inquebrantável e fiel às interrogações que nos levam para a frente. Adeus, Eduardo”.

“Homem carinhoso, disponível, sempre inquieto e presente”, destaca Catarina Martins no twitter:

“Um pensador generoso e atento, um construtor de pontes em tempos de incerteza”, sublinha Marisa Matias no twitter:

Notícia atualizada às 13h35 de 1 de dezembro de 2020 e às 17h 50

Termos relacionados Sociedade
(...)