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Morreu Edmundo Pedro (1918-2018)

Edmundo Pedro, militante antifascista, fundador e dirigente histórico do PS, morreu este sábado, em Lisboa, aos 99 anos. Foi um dos primeiros presos políticos do Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, em 1936.
Em 1973, Edmundo Pedro foi um dos fundadores do Partido Socialista, ao lado de Mário Soares. Foto de Acscosta/ Wikimedia Commons.
Em 1973, Edmundo Pedro foi um dos fundadores do Partido Socialista, ao lado de Mário Soares. Foto de Acscosta/ Wikimedia Commons.

Nasceu a 8 de novembro de 1918, no Samouco, concelho de Alcochete, em Setúbal. Como escreve São José Almeida, no Público, Edmundo Pedro “conheceu inúmeras cadeias durante a ditadura: Aljube, Peniche, Caxias, Tarrafal”. Com o seu pai, Gabriel, foi um dos primeiros presos políticos do Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde), no ano de 1936, tendo sido sujeito a torturas extremas, como a “frigideira”, uma cela solitária onde a temperatura chegava a subir aos 50ºC.

Porém, a sua estreia nos cárceres do Estado Novo foi logo aos 15 anos, na sequência de ter participado na organização da greve geral de 18 de janeiro de 1934. Na altura, trabalhava no Arsenal do Alfeite, onde chegou com 13 anos. Foi aí que começou a ter atividade política, aderindo ao PCP, através da sua organização de jovens, a Federação das Juventudes Comunistas, em 1931. Nesse contexto, conheceu Álvaro Cunhal e Francisco de Paula Oliveira. Afastou-se depois do PCP, em 1945, e participou em vários movimentos armados, para tentar derrubar o regime.

Em 1973, foi um dos fundadores do Partido Socialista, ao lado de Mário Soares. Após o 25 de Abril, tornou-se deputado, na Assembleia Constituinte e depois na Assembleia da República, e foi também presidente da RTP, em 1977 e 1978. Muitos recordam-no como um “amante da liberdade”.

Dirigentes do PS afirmaram à Lusa que Edmundo Pedro esteve hospitalizado há cerca de duas semanas e, apesar de debilitado, mantinha-se lúcido. Há pouco menos de um ano, numa entrevista ao jornal i, em 9 de fevereiro, Edmundo Pedro confessava que teve uma "vida fantástica", e que, se era "uma questão de gostar", gostaria de viver até aos 150 anos.

Ao longo da sua vida, publicou vários livros, entre estes contam-se três volumes de “Memórias: Um Combate pela Liberdade”, prefaciadas por Mário Soares; um livro sobre "O processo das armas"; outro sobre a luta sindical durante a ditadura, "45 anos de luta pela democracia sindical - Reflexões de um militante"; e um volume sobre a vida de Francisco de Paula Oliveira, “Pavel – Um Homem não se apaga”.

Segundo informação da Lusa, o velório realiza-se a partir das 17h deste domingo, no Centro Cívico Edmundo Pedro, da Junta de Freguesia de Alvalade, em Lisboa.

Catarina Martins recorda “referência da luta pela liberdade e justiça social"

Falando à imprensa, este domingo de manhã, em Lisboa, a Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda lembrou Edmundo Pedro como uma “referência da luta pela liberdade e pela justiça social em Portugal”.

“Foi alguém que sofreu imenso, que teve um percurso de resistência pessoal que deve ser admirado por todos”, considerou ainda Catarina Martins, expressando as suas condolências, também em nome do Bloco, ao PS e aos familiares do resistente antifascista.

[notícia atualizada às 15h20, 28.01.18]

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