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Modelo de concessão da Malaposta “é falhado à partida e o município não sabia”

Numa reunião com o vereador da Cultura, eleito pelo PS, o deputado Jorge Campos e o grupo municipal do Bloco de Odivelas colocaram dúvidas sobre o estudo que sustenta a razoabilidade financeira da concessão do Centro Cultural da Malaposta. Edgar Valles “assumiu simplesmente que não tinha resposta”.

Em comunicado, o Bloco de Esquerda de Odivelas assinala que a projeção de receitas próprias do CC da Malaposta apresentada no estudo da Consultora LIBER129 Consulting Lda, e que sustenta a razoabilidade da concessão, não é realista, sendo que “nenhum teatro no país apresenta receitas a este nível”.

Os bloquistas referem ainda que, perante as dúvidas expostas, o vereador da Cultura Edgar Valles, eleito pelo PS, assumiu simplesmente que não tinha resposta e era um dado novo sobre o qual teria de pensar”.

“Ou seja, este modelo é falhado à partida e o município não sabia”, lê-se no comunicado, no qual é assinalado que “é criticável que uma Consultora se preste ao serviço de martelar projeções financeiras para justificar uma concessão de um serviço público essencial, mas é manifesta incompetência e laxismo político a vereação da Cultura prestar-se ao serviço e assinar de cruz uma decisão tão perigosa para o Centro Cultural”.

O Esquerda.net transcreve, na íntegra, o comunicado do Bloco de Esquerda de Odivelas:

“Por decisão da Câmara Municipal de Odivelas, o Centro Cultural da Malaposta está neste momento em processo de concessão. O deputado Jorge Campos bem como o grupo municipal do Bloco de Esquerda Odivelas, pediram por isso uma reunião ao Vereador Edgar Valles, eleito pelo Partido Socialista, para apresentarem algumas dúvidas sobre a concessão.

A Câmara Municipal de Odivelas encarregou a Consultora LIBER129 Consulting Lda, de apresentar uma análise sobre o modelo de gestão e viabilidade financeira do Centro Cultural, documento ao qual o Bloco teve acesso. É com base nesse estudo que o vereador para a Cultura, Edgar Valles, sustenta a razoabilidade da concessão. Segundo o estudo, a viabilidade financeira é garantida pela projeção de receitas próprias de 200 mil euros, dos quais, 170 mil são receitas de bilheteira de espetáculos de teatro. Aliado a um subsídio de exploração municipal de 280 mil euros para cobrir despesas fixas, as receitas criadas serviriam para financiar o orçamento de programação orçado em 152 mil euros. O problema é que nenhum teatro no país apresenta receitas a este nível.

Numa simples projeção de €5 por bilhete, isto implicaria 34 mil entradas pagas por ano, cerca de 100 espectadores por dia incluindo segundas e terças-feiras. Um cenário irrealista para um teatro com 159 lugares. Para termo de comparação, nem sequer o Teatro Nacional Dona Maria II apresentou nos últimos anos receitas de bilheteira a este nível. Significa isto que, para garantir a programação sustentada da Malaposta sem criar défice operacional, alguma variável terá de se alterar: ou o município aumenta o subsídio de exploração, ou os salários descem, ou a programação é reduzida. Caso contrário, a Malaposta entrará em colapso ao final de alguns meses de concessão.

Perante estas dúvidas, o vereador assumiu simplesmente que não tinha resposta e era um dado novo sobre o qual teria de pensar.

Ou seja, este modelo é falhado à partida e o município não sabia. É criticável que uma Consultora se preste ao serviço de martelar projeções financeiras para justificar uma concessão de um serviço público essencial, mas é manifesta incompetência e laxismo político a vereação da Cultura prestar-se ao serviço e assinar de cruz uma decisão tão perigosa para o Centro Cultural”.

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