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Mobilização internacional dos trabalhadores da Amazon responde aos “prime days”

Os “prime days” são promoções generosas que visam angariar clientes para as contas especiais da Amazon. Os trabalhadores, fartos de descontos à custa dos seus salários, responderam à manobra de marketing com uma ofensiva internacional em defesa dos seus direitos.
Trabalhadores da Amazon em protesto.
Trabalhadores da Amazon em protesto. Foto de @uniamericas/Twitter.

Acabam esta terça-feira os dois dias anunciados como de super-descontos para quem adira a uma subscrição prime da empresa de comércio eletrónico Amazon. Os trabalhadores respondem que estes descontos são feitos à custa dos seus direitos e exigem melhores condições de trabalho.

Daí que este ano aconteça, pela segunda vez consecutiva, um protesto coordenado entre trabalhadores europeus e norte-americanos.

No Minnesota, por exemplo, os trabalhadores bloquearam temporariamente os camiões que entravam na empresa. Traziam bandeiras em que se podia ler “somos humanos, não robots”. Em comunicado um dos grevistas, Safiyo Mohamed, explica as razões do protesto: “criamos muita riqueza para a Amazon mas eles não nos tratam com o respeito e a dignidade que merecemos.”

Na Alemanha, por sua vez, a greve mobilizou mais de dois mil trabalhadores de sete armazéns segundo o sindicato Ver.di: Werne, Rheinberg, Leipzig, Graben, Koblenz e os dois armazéns de Bad Hersfeld. Orhan Akman, responsável deste sindicato, apresenta razões semelhantes às do seu colega norte-americano: “a Amazon oferece estes descontos aos clientes às custas dos salários dos seus próprios empregados. Os trabalhadores alemães exigem negociação coletiva.

Em França a mobilização atinge o armazém de Lauwin-Planque. Aconteceram também manifestações em Madrid, Reino Unido e Polónia.

Os sindicatos europeus que organizam trabalhadores da Amazon têm cooperado desde 2013, utilizando os piques de vendas como os Prime Days ou o Black Friday para protestar. Em 2018 este movimento europeu conseguiu somar cerca de cinquenta greves por todo o continente. A empresa tem respondido com a contratação de trabalhadores temporários, gabando-se de que a distribuição não sofre perturbações.

Em abril deste ano, sindicalistas da Amazon de 15 países reuniram-se pela primeira vez em Berlim para criar um plano de luta contra uma empresa que é acusada de abusos laborais: ritmos de trabalho demasiado rápidos, métodos agressivos de vigilância dos trabalhadores, supressão de pausas entre outras questões.

Ecologistas também protestam com a Amazon

No domingo em Winsen, na Baixa Saxónica, um protesto ambientalista visou também esta empresa. 40 ativistas da Greenpeace escalaram ao telhado de um dos armazéns da empresas em protesto contra a destruição de bens que são devolvidos pelos consumidores. Segundo os ambientalistas, 30% dos produtos devolvidos não são revendidos.

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