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Mobilização ao rubro na greve feminista espanhola

Greve, manifestações, bloqueios de estradas, invasões de grandes superfícies comerciais, batucadas, leituras coletivas, piqueniques, acampamentos, bicicletadas, rotas turísticas do machismo e batismos feministas de ruas. São inúmeras as expressões da Greve Feminista Internacional em Espanha.

É impossível fazer uma lista exaustiva dos eventos marcados em Espanha para a Greve Feminista Internacional. São conhecidos pelo menos 1500 por todo o país. Há manifestações convocadas oficialmente em 65 cidades. E, para além destas, há muitas outras. Só na Comunidade de Madrid contam-se 75 manifestações.

Desde a meia noite do dia 8 de março que o feminismo tomou as ruas. Em vários pontos de Madrid, a noite foi acompanhada, de Vallecas à Puerta del Sol, pelos sons de “caceroladas”/batucadas, com o bater de tachos, panelas e instrumentos de percussão e os cânticos feministas que pretendiam “reclamar a noite e a rua”.

Ao início da manhã, houve bloqueios de estradas e ruas em vários pontos do país. Em Barcelona, por exemplo, a circulação de comboios foi momentaneamente interrompida. Mas não só. Circulam pelas cidades bicipiquetes, piquetes que alertam para a greve deslocando-se de bicicleta. Há leituras coletivas, piqueniques, acampamentos e muitas outras ações inventivas.

Ao longo do dia há também ocupações simbólicas de lojas das grandes superfícies, lembrando a “greve ao consumo”, a precariedade e a exploração laboral. Media Markt, Carrefour, El Corte Inglés e Primark foram alguns dos locais visados. A cadeia de hotéis Ibis também foi “invadida” em protesto contra a turistificação.

Houve ainda quem tivesse mudado nomes das ruas: Emma Goldman, Angela Davis, Clara Campoamor foram alguns nomes com que ativistas rebatizaram ruas que antes tinham nomes masculinos. Houve, para além disto, quem organizasse um passeio coletivo pela rota turística do machismo e fascismo espanhol. O #fachitour foi promovido pela Plataforma de Encuentros Bolleros, uma organização de lésbicas, que não poupou a sede do partido de extrema-direita VOX.

O protesto também teve expressões mais tradicionais. A greve laboral, convocada por vários sindicatos para todo o dia (CNT, CGT, Solidaridad Obrera e Confederación Intersindical) e pelas duas maiores centrais sindicais (CCOO e UGT) para duas horas por turno em todos os setores (todo o dia em alguns), está a superar a marca de seis milhões de mulheres atingida o ano passado, segundo a CGT. Os primeiros números avançados pelas CCOO e UGT falam numa adesão de 70% em Madrid.

As greves estudantis atingiram igualmente números expressivos, chegando em vários casos aos 100%. Estima-se que dois milhões de estudantes terão feito greve. As estudantes também saíram à rua com manifestações autónomas em várias cidades.

Várias instituições também pararam, de jornais e televisões com redações diminuídas a parlamentos regionais com os trabalhos parados. No País Basco, o parlamento parou por falta de quórum porque todas as mulheres, menos as do Partido Popular, fizeram greve. Na Galiza, duas comissões parlamentares foram suspensas pela mesma razão, tendo feito greve as mulheres de todos os partidos.

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