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Ministro grego da Saúde: "Só o cancro terminal é urgente"

Hospitais públicos gregos só asseguram assistência a cidadãos sem seguro de saúde em caso de urgência. “Doenças como o cancro não são consideradas urgentes, a menos que o doente esteja em fase terminal", esclareceu o ministro da saúde helénico.

Num artigo publicado no passado sábado pelo The Washington Post, é referido o exemplo de um cidadão grego de 60 anos que, após anos a descontar para o Estado grego para ter acesso aos cuidados de saúde gratuitamente ou a baixo custo, perdeu o seguro de saúde quando o seu negócio faliu.

Confrontado, em 2011, com o diagnóstico de um cancro intestinal, Nikos Solomos teve de vender equipamentos e bens para cobrir as inúmeras despesas de saúde, que rapidamente ascenderam a cerca de 49 mil euros. Entretanto, já em fevereiro deste ano, ficou a saber que tem metástases no fígado e que necessita de uma cirurgia que lhe custará 12 mil euros. Incapaz de fazer face a este custo, lamentou: “Se estamos doentes na Grécia, temos uma data de validade”.

"Doenças como o cancro não são consideradas urgentes”

O ministro da Saúde grego, Adonis Georgiadis, afirmou que o governo helénico está a tentar ajudar os cidadãos sem seguro de saúde, mediante a criação de um fundo, proveniente de uma operação contra a evasão fiscal, para os casos mais graves.

Segundo o responsável governamental, os casos urgentes ainda estão a ser tratados em hospitais públicos, independentemente da existência, ou não, de seguro. "Contudo”, avançou, “doenças como o cancro não são consideradas urgentes, a menos que o doente esteja em fase terminal".

Grécia vive verdadeira crise humanitária

Mediante o aumento exponencial do desemprego e os cortes orçamentais, a Grécia viu o número de cidadãos sem seguro de saúde passar de 500 mil, em 2008 para, pelo menos, 2,3 milhões em 2014, o equivalente a quase um em cada cinco gregos.

Desde 2009, a despesa total no setor da saúde foi reduzida em mais de 25 por cento, e estão a ser preparados atualmente mais cortes. Segundo os críticos, citados pelo The Washington Post, “os cortes foram feitos com um machado em vez de um bisturi”.

Face ao cortes a que foram sujeitos os programas de troca de seringas, as taxas de HIV dispararam. A degradação das condições de vida e o acesso limitado à saúde traduziram-se no aumento do número de casos de tuberculose. Os hospitais, como o Gennimatas, um dos maiores de Atenas, não têm condições para reparar equipamentos avariados, registam escassez de antibióticos e outros medicamentos e estão com falta de profissionais, dependendo, muitas vezes, dos familiares dos doentes para assegurar a sua alimentação e higiene.

Médicos de clínicas gratuitas, como o Centro da Comunidade Metropolitana, estão a tentar apoiar os cidadãos sem seguro e a defender os seus direitos. Segundo George Vihas, um dos fundadores desta clínica, a sua equipa teve, por exemplo, de intervir recentemente no caso de uma cidadã que tinha dado à luz num hospital que se recusava a dar alta ao seu recém-nascido até que esta pagasse pelos cuidados de saúde.

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