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Milhares manifestam-se pelo ambiente no Salão Automóvel de Frankfurt

25 mil pessoas protestaram no sábado na inauguração de um dos maiores eventos da indústria automóvel. Defendem transportes públicos gratuitos e limitações de circulação nas cidades. Há três dias consecutivos que os ambientalistas bloqueiam entradas no Salão Automóvel de Frankfurt.
Manifestantes em frente ao Salão Automóvel de Frankfurt. Setembro de 2019.
Manifestantes em frente ao Salão Automóvel de Frankfurt. Setembro de 2019. Foto de Tim Wagner. Flickr.

A inauguração do Salão Automóvel de Frankfurt, no sábado passado, contou com a presença de 25 mil pessoas que não tinham sido convidadas pela indústria automóvel. Uma manifestação bastante concorrida confrontou aqueles que chamaram “destruidores do clima e do meio ambiente”, denunciando que os fabricantes de carros continuam a atrasar a transição energética e não assumem a sua responsabilidade pela poluição causada pelos veículos que produzem.

No domingo, os protestos continuaram com várias das entradas do centro de exposições Messe, onde decorre esta exposição internacional, a ser bloqueadas. Os manifestantes estão a sair às ruas em dias consecutivos os manifestantes. Uns, vestidos com roupas de proteção brancas, ficam sentados à frente às entradas. Outros circulam de bicicleta pelas imediações obstruindo também as vias das redondezas.

Para os ambientalistas “o sistema de transporte destrutivo que é defendido pelo maior salão do automóvel do mundo é destrutivo”, segundo declarações dos organizadores à Deutsche Welle. Estes realçam igualmente que “uma mudança real para um transporte ecológico não é compatível com os interesses económicos do lobby da indústria automobilística.” E, entre as exigências que apresentam conta-se a proibição de carros em cidades, a gratuidade dos transportes públicos e a construção de mais ciclovias.

Contudo, a série de protestos iniciou-se ainda antes da abertura do evento ao público. Quinta-feira, quando a chanceler Angela Merkel visitou a feira, ativistas do Fridays for Future e da Greenpeace entraram no stand da Volkswagen, subiram aos automovéis e mostraram cartazes onde se lia “klimakiller”, assassino do clima.

Meter um grão de areia na engrenagem automóvel

Muitos manifestantes exigem ainda o fim dos motores a combustão e transportes neutros em termos de emissões de carbono até 2035.

O movimento Areia na Engrenagem foi uma das plataformas que convocou estes protestos. Acusam a indústria automóvel de continuar a procurar lucrar “à custa dos mais pobres e das gerações futuras”. Dizem ainda que “o clima, o ambiente e a nossa qualidade de vida estão a ser atropelados por carros produzidos para ostentar” e que “a própria sobrevivência da humanidade está ameaçada”. E é ainda porque este evento é “onde a indústria automóvel vai polir a sua imagem brilhante e vender os seus veículos sujos junto com o nosso futuro que apelaram ao bloqueio do evento como estratégia de desobediência civil não violenta pensada para ser “uma mostra de diversidade, criatividade e abertura”.

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