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Milhares fogem para as praias para escapar aos incêndios na Austrália

A costa leste do país continua a ser fustigada pelos incêndios. Cercados pelas chamas, cerca de quatro mil habitantes de Mallacoota fugiram para a praia. Apesar das críticas, Sydney avançou com o fogo de artifício de fim de ano.
no barco para fugir às chamas
Allison Marion levou os seus dois filhos para o barco e afastou-se da costa para fugir às chamas em Mallacoota. A imagem publicada pela ABC Gippsland deu a volta ao mundo esta terça-feira.

Mais de 120 fogos florestais estavam ativos no último dia do ano na costa Leste da Austrália, tendo já devastado mais de 200 mil hectares no estado de Victoria. A época de incêndios florestais está a ser considerada a maior desde que há registos e já provocou a morte a pelo menos onze pessoas e a destruição de centenas de habitações.

Esta terça-feira correram mundo as imagens da cidade costeira de Mallacoota, cercada pelo fogo mas sem ordem de evacuação, quando os seus habitantes correram para as praias e os que puderam entraram nos barcos para se afastarem das chamas.

Apesar dos fogos não andarem longe de Sydney e das temperaturas rondarem os 40ºC na cidade, atualmente em alerta máximo de risco de incêndio, as autoridades decidiram manter o tradicional fogo de artifício, um dos maiores do mundo, para marcar a entrada em 2020. A decisão contraria a vontade de uma petição que juntou 275 mil pessoas a apelar ao cancelamento do evento e que os milhões gastos no fogo de artifício fossem dirigidos para o combate aos fogos.

As autoridades proibiram o uso de fogos de artifício em toda a região, abrindo uma única exceção para o de Sydney, que todos os anos é visto na televisão por mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo.

O fogo de artifício marcado para as 21h locais avançou mesmo, apesar de ter sido adiado 15 minutos devido aos fortes ventos.

A resposta do governo aos incêndios também continua a ser alvo de críticas. Depois dos protestos contra as férias do primeiro-ministro em plena situação de emergência, que o obrigou a regressar do Havai, agora foi a vez do ministro dos serviços de emergência de Nova Gales do Sul se ausentar para férias no Reino Unido e em França enquanto o território arde e já há vítimas mortais a lamentar nos corpos de bombeiros.

“Porque é que temos sequer um ministro dos Serviços de Emergência se ele não vai cá estar quando há uma emergência?”, questionou um colega de governo do Partido Liberal sob anonimato em declarações ao Sydney Morning Herald.

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