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Milhares de brasileiros pedem destituição de Bolsonaro nas ruas

O drama de Manaus, os atrasos na vacinação, a continuação do negacionismo e da negligência face à pandemia estão a fazer a popularidade do presidente brasileiro cair fortemente e a desencadear protestos de vários quadrantes.
"Carreata" em Brasília pela destituição de Bolsonaro. Janeiro de 2020. Foto de FABIO MOTTA/EPA/Lusa.
"Carreata" em Brasília pela destituição de Bolsonaro. Janeiro de 2020. Foto de FABIO MOTTA/EPA/Lusa.

Sábado foi dia de protestos contra Bolsonaro em várias cidades do Brasil. Criticou-se a gestão da pandemia e os atrasos na vacinação de um presidente em queda de popularidade. A última sondagem de referência da Datafolha mostra que este apenas é apoiado por 31% dos eleitores, caindo assim dos 37% anteriores. 40% da população avalia mesmo o desempenho do presidente como “ruim” ou “péssimo”.

Convocadas pela esquerda, estas manifestações foram essencialmente “carreatas”, ou seja desfiles de carros pelas ruas de forma a manter distanciamento social. Em Brasília, segundo fontes policiais, 500 automóveis exigiam "vacinas para todos”, pediam “oxigénio” e gritavam “Bolsonaro fora" e "impeachment sim". Cenário idêntico ao de mais quinze capitais estaduais e muitas outras cidades do país.

Houve quem arranja-se outras formas de protesto. Em Curitiba, por exemplo, 400 pessoas manifestaram-se de bicicleta.  Noutros lados, um "panelaço" acompanhou o desfile das viaturas com as pessoas a fazerem barulho a partir das suas casas.

Mas a impopularidade de Bolsonaro não traz apenas para a rua uma frente de partidos de esquerda e os movimentos sociais. Este domingo, é a vez de protestarem partidos e movimentos de direita que ajudaram a colocar Bolsonaro no Palácio do Planalto, como o Movimento Brasil Livre e o Vem Para Rua, que apoiaram o atual presidente.

A gestão governamental da pandemia está cada vez sob ataque cerrado de vários lados. O sucedido em Manaus, onde faltaram garrafas de oxigénio para os internados nos hospitais, resultando em várias mortes, e a reação do ministério da Saúde, liderado por Eduardo Pazuello, um general sem formação na área que continua a promover o “tratamento precoce” com cloroquina e hidroxicloroquina, medicamentos sem eficácia comprovada para a Covid-19, aumentaram a contestação tendo começado a ser virais nas redes sociais os pedidos de destituição do presidente.

Bolsonaro tem assumido uma postura entre o negligente e o negacionista sobre a pandemia. Chamou-lhe inicialmente uma “gripezinha” e nos últimos tempos tem afirmado que está a chegar ao fim. Criticou o uso de máscaras, não respeitou as medidas de distanciamento e isolamento social. O país sofre entretanto uma segunda vaga da pandemia, na última semana morreram em média mil pessoas por dia. Ao todo foram 212 mil desde o início do surto.

O processo de vacinação está também a ser alvo de fortes críticas. Depois de Pazuello ter prometido 15 milhões de vacinas da AstraZeneca em janeiro, que não chegaram, contratualizou dois milhões de vacinas da Índia. Só que estas estão atrasadas e a sua produção está prevista começar em março. A contrastar com isto, o governo de São Paulo começou um programa próprio de vacinação com a Coronavac, a vacina chinesa.

Igualmente se contesta o fim da ajuda de emergência, em vigor desde abril a dezembro que permitiu a sobrevivência quotidiana a um terço dos brasileiros, 68 milhões de pessoas.

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