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Michel Serres, 1930-2019

Michel Serres, filósofo francês, morreu este fim de semana em Paris. Deixa uma vasta obra em áreas como a epistemologia, história e filosofia da ciência, onde abordou temas como a ecologia e as tecnologias da comunicação.
Michel Serres numa livraria em Brest, 30 de Outubro de 2014. Foto Briand/Wikimedia.
Michel Serres numa livraria em Brest, 30 de Outubro de 2014. Foto Briand/Wikimedia.

Michel Serres, filósofo francês, morreu este sábado aos 88 anos em Vincennes, Paris. Serres nasceu em 1930 em Agen, cidade na região da Nova Aquitânia, no sudoeste de França. Filho de um marinheiro, entra na Escola Naval de Brest em 1949, que abandona para frequentar a partir de 1952 a Escola Normal Superior, em Paris, onde obtém um grau em filosofia três anos depois. É oficial da Marinha entre 1956 e 1958, ano em que abandona a carreira militar para se dedicar por inteiro à filosofia.

A partir de 1958, Serres embarca numa carreira universitária que o leva a Clermont-Ferrand, à universidade Paris-VIII em Vincennes, centro da efervescência estudantil no Maio de 1968, e a partir de 1969 a Paris 1 (Sorbonne), onde leciona história das ciências. Paralelamente, à imagem de Michel Foucault, de quem foi colega e próximo em Clermont-Ferrand, Serres leciona também do outro lado do Atlântico, primeiro na universidade Johns Hopkins em Baltimore, a partir de 1984 em Stanford, no Silicon Valley californiano. Em 1990 é admitido na Academia Francesa.

A obra de Michel Serres é vasta nas áreas da epistemologia, história e filosofia das ciências, e abordou temas como as tecnologias da informação, a educação, a ecologia. Publicou o seu primeiro livro em 1968, O sistema de Leibniz e os seus modelos matemáticos, filósofo em que se especializou. Seguiram-se mais de 60 livros, entre os quais o mais célebre em termos de vendas foi provavelmente Os Cinco Sentidos (1985). Em linhas gerais, a sua filosofia das ciências debruçou-se sobre a problemática do progresso científico e suas implicações morais, numa linha de recusa do determinismo. Daqui, alargou as suas investigações para temas como a problemática moral da violência, a condição operária ou as relações entre marxismo e ciência. Interessou-se também pela ascensão das tecnologias de comunicação face à indústria tradicional, a que dedicou uma série de livros sob o título de Hermes (cinco volumes entre 1969 e 1980), o deus grego do comércio e da comunicação.

Em português, pouco está traduzido da vasta obra de Michel Serres. A edição mais recente surgiu pela mão da editora Guerra e Paz, que publicou em 2018 Antes é que era bom!. As edições Piaget fizeram o maior trabalho de divulgação deste autor no país, traduzindo O contrato natural (1994), O terceiro instruído (1993), Hominescência (2004), Ramos (2005) e A grande narrativa do humanismo: a história da humanidade (Piaget, 2008). Nos anos 1990, a Terramar editou Elementos para uma História das Ciências (3 volumes, 1995-1996) e As origens da geometria (1997).

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