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#MeToo: Denúncias de abuso sexual em escola de circo na Maia

Alunas da “Salto International Circus School”, na Maia, acusam um professor de abuso sexual. A Federação Europeia de Escolas Profissionais de Circo suspendeu a instituição. A escola rejeita as acusações e está a criar um código de conduta. 
Denúncias de abuso sexual em escola de circo na Maia. Fotografia: Instragram Stop.Abusing.Us

Uma reportagem do jornal Público dá a conhecer a existência de diversas denúncias de abuso sexual por parte de um professor da Salto International Circus School, na Maia, a alunas desta escola. 

Em 2019, uma jovem alemã veio para Portugal em 2019, para frequentar o curso de dois anos na escola. Um “sonho”, segundo disse ao Público. Mas entretanto confrontou-se com os abusos. 

Numa aula no trampolim, o professor terá usado repetidamente uma expressão que remete para uma posição sexual: “Vamos fazer estilo cão.” Nas cambalhotas, ter-lhe-á tocado no rabo. “Perguntei-lhe se me podia tocar nas costas, e ele respondeu: 'Posso tocar nas costas, mas prefiro o rabo.'” Uma vez, ao apanhá-la, ter-lhe-á tocado no peito. “Deixou a mão dele dois segundos e disse: 'Desculpa, tinha de fazer isto.'” Noutra ocasião, estava ela nas mãos do parceiro de trabalho então deitado, ter-lhe-á dito que esticasse as pernas e tocado perto da vulva.

“Eu sei que ele tocou em muitas raparigas que estiveram aqui antes de mim, ele tocava-me e ainda toca noutras e, se ninguém fizer nada, nunca vai deixar de tocar de forma inapropriada nas raparigas”, afirmou a aluna, citada pelo jornal Público. 

Em fevereiro de 2020, esta jovem alemã apresentou queixa na Polícia Judiciária, deu nota da situação à Federação Europeia de Escolas Profissionais de Circo bem como à direção da Salto International Circus School. Mudou de escola. 

No início do mês de setembro de 2021, foi criada uma conta de Instagram denominada Stop.Abusing.Us, com o objetivo de denunciar situações de abuso. Entretanto, a Federação Europeia de Escolas Profissionais de Circo (Fedec) suspendeu a instituição.  

Questionado pelo Público, o professor em causa afirmou que as denúncias provêm de ex-alunos com  “problemas financeiros ou algum tipo de conflito com a escola”. Ressalva que os alunos são oriundos de diversos países e que “há uma diferença cultural”. Nega também ter proferido comentários desagradáveis quanto ao corpo das alunas, afirmando que “não vou ensinar nutrição. Vou dizer: ‘Vê lá o teu peso, ficas com um rabo grande.’”

Outra situação que motivou queixas remete para a entrada na casa dos estudantes sem aviso. “Eu e as pessoas que trabalham comigo vamos às casas quando é preciso. O frigorífico avariou-se? Tenho a chave. Bato. Se ninguém atende, meto a chave na porta e entro. Temos grupos de WhatsApp. Antes de ir às casas digo: vou à vossa casa no dia tal.”

Entretanto, decorreu uma reunião entre a direção da escola, alunos e alunas bem como encarregados de educação, na qual foi solicitado “que se acautelassem situações futuras” tendo para tal surgido a sugestão de criar “um código de conduta e um sistema de comunicação de eventuais abusos”, conclui o jornal Público. 

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