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Metade dos peixes fugiu das águas da zona equatorial

Segundo um estudo publicado na revista científica Pnas, as alterações climáticas são responsáveis pelo aquecimento que provoca a situação.
Peixes tropicais no Bornéu. Foto de William Warby/Flickr.
Peixes tropicais no Bornéu. Foto de William Warby/Flickr.

Um estudo publicado esta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, Pnas, mostra que, em quarenta anos, as águas das zonas equatoriais perderam grande parte da biodiversidade que albergavam. Metade dos peixes de alto mar fugiu mesmo da região.

Os autores, de várias universidades da Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong e África do Sul, atribuem o êxodo a uma “resposta direta às alterações climáticas”, dado que o ambiente em que viviam se tornou demasiado quente.

Este trabalho foi feito à escala global, analisando a distribuição de 48.661 espécies de animais marinhos, desde peixes a moluscos, aves e corais, desde 1955. E recorreu ao Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Oceânica (Obis), uma base de dados mundial, dirigida por Mark Costello, da Universidade de Auckland e co-autor do estudo.

Esta ordem de grandeza permite compreender melhor o que outros estudos mais parciais já tinham concluído: a deslocação de peixes para águas mais frescas. “Quanto às espécies fixas, como os corais, a questão é se os recifes de coral como ecossistemas e os corais como espécie serão capazes de se mover para norte ou sul de forma suficientemente rápida para se ajustarem às alterações climáticas”, questiona-se Sebastian Ferse do Centro Leibniz para a Investigação Tropical Marinha.

Durante o período estudado, as temperaturas da superfície do mar aumentaram perto de 0,2 graus Celsius. A diversidade de espécies tende a estagnar ou declinar com temperaturas médias anuais acima dos 20 graus, concluíram estes investigadores.

Chhaya Chaudhary, a investigadora que liderou o grupo, explica que a situação é mais dramática no hemisfério norte, onde as águas aqueceram mais rapidamente. Mas trata-se de um problema global: Mark Costello defende que o estudo prova “que as alterações climáticas causadas pelo ser humano já afetaram a biodiversidade marinha à escala mundial para todos os tipos de espécies. As alterações climáticas já estão aí e o seu ritmo acelera-se”.

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