Mediterrâneo: resgate e desembarque de migrantes deve ser prioridade, diz ONU

01 de October 2018 - 10:40

Na sequência do resgate de 58 migrantes pelo navio Aquarius, a ONU alertou para a necessidade de criar um esquema sustentado e previsível para o desembarque de migrantes e refugiados.

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Mediterrâneo: resgate e desembarque de migrantes deve ser prioridade, diz ONU
Fotografia de Palestine Chronicle.

A ONU advertiu para a necessidade de opções claras para o desembarque de pessoas resgatadas do Mediterrâneo num comunicado divulgado este fim de semana onde agradeceu também aos países europeus que ofereceram acolhimento aos migrantes resgatados pelo navio humanitário Aquarius. 

“Estamos agradecidos a Malta por permitir o desembarque das 58 pessoas resgatadas pelo navio Aquarius, terminando o seu sofrimento depois de dias no mar, bem como a Espanha, França, Alemanha e Portugal por se terem oferecido a recebê-los”, afirmou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). 

O grupo de 58 migrantes que foi resgatado na mais recente operação do navio Aquarius desembarcou no passado domingo no porto de La Valeta, em Malta, depois de ter esperado quase uma semana ao largo da ilha. Este grupo será distribuído posteriormente por vários países europeus, incluindo Portugal, que vai acolher dez dos migrantes.

Porém, a agência da ONU não deixou de lembrar a atual situação do navio que recentemente perdeu o pavilhão do Panamá por decisão das autoridades locais. Segundo a Lusa, o Aquarius é de momento o único navio de resgate civil a operar naquela que é considerada a rota migratória mais letal do mundo: o Mediterrâneo central. O navio deixará de navegar se nenhum país aceitar atribuir-lhe um pavilhão.

De acordo com o Alto Comissariado, esta situação revela a precariedade dos sistemas criados para tentar salvar a vida de milhares de migrantes e refugiados que todos os meses tentam fazer aquela travessia, em particular desde o norte de África em direção a Itália e Espanha, para os quais não existem procedimentos oficiais.

Como tal, o ACNUR defende a criação de um esquema sustentado e previsível para o desembarque de migrantes e refugiados, pedindo aos Estados europeus para “acelerarem esforços nesse sentido”.

“A perda do registo do Aquarius é extremamente preocupante e representaria uma dramática redução na capacidade de busca e de salvamento, precisamente no momento em que ela é mais necessária", afirmou Federico Grandi, Alto Comissário da ONU para os Refugiados, pedindo a todos que o resgate de embarcações que estão à deriva e o desembarque dos respetivos passageiros em lugares seguros “seja agora uma prioridade para todos”.