Massacre no Mali causa 160 vítimas

26 de March 2019 - 16:31

Uma aldeia no Mali central foi atacada este sábado. O massacre foi atribuído às milícias que foram criadas para combater os fundamentalistas islâmicos.

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Polícia do Mali. Foto UNDP/Flickr

No passado sábado, 160 pessoas de etnia fula foram massacradas numa aldeia no Mali. No dia seguinte, num conselho de ministros extraordinário, o presidente Ibrahim Boubacar Keïta nomeou um novo chefe de estado-maior, o general Aboulaye Coulibaly, depois de ter demitido os principais chefes do exército.

Na mesma reunião, Keïta anunciou a dissolução das milícias Dan Nan Ambassagou, acusadas pelo ataque. Mas esta decisão arrisca-se a ser meramente simbólica. As milícias dizem não ser responsáveis pelo massacre e rejeitaram a sua dissolução. Isto faz com que o especialista na política desta região André Bourgeot, investigador do Centro Nacional de Investigação Científica de França (CNRS), em declarações à AFP, avalie tal medida como “amplamente insuficiente” sendo necessário “desarmá-los ou então a declaração não servirá para grande coisa.”

O mesmo investigador pensa que o problema de base é “a completa ausência do Estado de certos territórios do Mali central”, que “deixa a porta aberta a todos os abusos” (nomeadamente o banditismo e o crime organizado) e “amálgamas” (entre grupos armados e etnias).

As milícias Dan Nan Ambassagou são um grupo que se apresenta como “de auto-defesa” da etnia dogon. Foi constituído para resistir aos extremistas islâmicos ligados ao Mujao, Movimento para a unicidade e a jihad na África do Oeste, e à influência de Amadou Koufa, um pregador fundamentalista, cuja base de recrutamento é maioritariamente a etnia fula.

O conflito no Mali deslocou-se para o centro do país na sequência de uma intervenção militar francesa, em 2013, que derrotou os grupos fundamentalistas a norte.

A Human Rights Watch tinha, já em dezembro, alertado para o facto das milícias Dan Nan Ambassagou estarem “fora de controlo” e responsabilizou-as por várias atrocidades perante a negligência das autoridades estatais. As milícias, por seu lado, acusam o exército maliano de continuar a não assegurar a segurança na região, apesar da existência de um acordo de cessar-fogo em que se tinham comprometido a fazê-lo. Segundo a ONU, estes conflitos custaram a vida a 500 civis em 2018.