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Marques Mendes prometeu privatização da Lusa a Pinto Balsemão

Francisco Pinto Balsemão entrou no capital da Lusa com a promessa de privatização a curto prazo desta agência pública de informação, uma garantia que lhe terá sido dada por Marques Mendes em 2000, antes do governo PSD/CDS liderado por Durão Barroso assumir funções.
Marques Mendes, hoje comentador da SIC, que integra o grupo Impresa, nunca mencionou o assunto publicamente.

Numa comunicação escrita, revelada esta terça-feira pela Presidente da Comissão parlamentar de Cultura e Comunicação Social, a deputada Edite Estrela (PS), num debate sobre a Lusa, o fundador do grupo Impresa reclama o retorno do investimento realizado na agência de notícias. 

"Subscrevemos 22,35% da Lusa, em dezembro de 2000, pagando €3.205.706. Fizemo-lo”, justificou, “porque o Governo da altura nos afirmou que a Lusa iria ser privatizada, o que poderá ser confirmado pelo então ministro, Dr. Luís Marques Mendes". Contudo, Marques Mendes só viria a assumir a pasta dos Assuntos Parlamentares em abril de 2002, após a demissão de António Guterres, na sequência da derrota do PS nas eleições autárquicas. 

"Desde então, nada aconteceu e está hoje demonstrado que a Lusa não vai ser privatizada”. E queixa-se da falta de retorno: "Nesses 16 anos e 3 meses recebemos apenas €185.329 de dividendos, o que corresponde a 5,8% do capital investido, ou seja, o equivalente a €11.583 por ano, sem descontar a esta verba as muitas horas que o assunto ocupa ao nosso representante no Conselho de Administração e aos próprios Comissão Executiva e Conselho de Administração", refere no e-mail.

Conclui com a vontade de reaver o investimento: "a Lusa pretende vender o edifício onde está instalada. Esta é, portanto, a boa ocasião para fazermos contas e sairmos".

Por esclarecer fica em que termos foi a promessa realizada, levantando questões de conflito de interesse e informação privilegiada a que o presidente da Impresa e fundador do PSD terá alegadamente tido acesso.

Marques Mendes, hoje comentador da SIC e membro do Conselho de Estado, nunca mencionou o assunto publicamente.

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