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Marisa Matias: "Para mim não há muros a dividir, há Humanidade"

A apresentação da candidatura presidencial de Marisa Matias, agendada para este sábado no Porto, deu lugar a uma sessão de solidariedade para com as vítimas dos ataques terroristas de Paris. A candidata defendeu uma resposta que passe pela humanidade e não por um discurso xenófobo, de medo, sobre refugiados e Schengen. Catarina Martins disse, por sua vez, que as vítimas de ontem em Paris são as do mesmo terror que as dos atentados em Beirute e as dos ataques aos refugiados em Calais.
Foto de Paulete Matos.

Para a tarde deste sábado estava marcada, no Porto, a apresentação da candidatura de Marisa Matias à Presidência da República e a apresentação do  seu mandatário nacional. Em vez disso, assistimos, no auditório da biblioteca Almeida Garrett, a uma sessão de solidariedade para com as vítimas dos atentados, não só de Paris como também de Beirute e Calais.

E muito tinha Marisa por dizer, não fosse esta uma das suas principais áreas de trabalho enquanto eurodeputada. Lembrou que “o espaço da nossa tristeza, com o que se passou, não pode ser ocupado por vozes xenófobas e racistas que só alimentam o ódio”.

 “Se ficarmos calados, só se ouvirão as vozes dos que querem mais sangue”

 O espaço da nossa tristeza, com o que se passou, não pode ser ocupado por vozes xenófobas e racistas que só alimentam o ódio.

“Levantamos a nossa voz para dizer que é de terrorismo que estamos a falar”, frisou Marisa Matias, sublinhando, ainda, que a resposta ao “monstro” que é o auto proclamado Estado Islâmico não pode, nem deve, passar pela guerra e por “um discurso sobre o acordo de Schengen”, e muito menos que se “use a situação dos refugiados (...) para vir com o fantasma do medo e fechar fronteiras”.

 Como alternativa, lembrou as várias propostas que apresentou no Parlamento Europeu para um embargo à venda de armas a territórios ocupados por terroristas, que nunca tiveram resposta, e defendeu “uma verdadeira cooperação entre cada país da União Europeia”.

 A candidata presidencial lembrou, ainda, que “aqueles que procuram espalhar o discurso do medo” e de “ódio relativamente aos refugiados” nunca estiveram “ao lado dos mais pobres e dos que mais necessitam”.

 “Quem está em Belém neste momento diz zero à democracia e zero à soberania”

 Já a porta-voz do Bloco de Esquerda realçou, lembrando Miguel Portas, que “compreender não é aceitar nem desculpar, é criar condições para se acertar, porque para lá da irracionalidade há uma desesperada busca de sentido num mundo que deixou de fazer sentido”.

 Catarina Martins disse, também, que na campanha das próximas eleições presidenciais, entram as mudanças terríveis que o mundo está a atravessar, os conflitos com que somos hoje confrontados, e as respostas que o próximo Presidente da República terá de dar.  Acrescentou, igualmente, que “quem está em Belém neste momento diz zero à democracia e zero à soberania” de Portugal.

 “Somos a geração que sabe que as gerações não se substituem, se acrescentam e que iremos derrotar Cavaco Silva e a sua política mesquinha para este país”, rematou a deputada bloquista.

 Catarina Martins concluiu, dizendo que o que está em cima da mesa nas próximas presidenciais é saber se os portugueses aceitam “essa subjugação do povo e a subserviência do país ou se faremos umas eleições presidenciais sobre a necessidade absoluta de responder às pessoas e de levar a sério a democracia”, recordando o sonho da direita e o pesadelo do povo português que foram os últimos quatro anos com um governo e um presidente de direita.

A sessão encerrou com intervenções de Miguel Guedes e António Capelo, que foi apresentado como mandatário nacional da candidatura de Marisa Matias à Presidência da República. O ator e diretor da companhia Teatro do Bolhão no Porto,  já em 2014 havia integrado a lista de apoiantes do Bloco às eleições europeias, da qual Marisa Matias era cabeça de lista.

 

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