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Mariana Mortágua expõe plano de Moniz da Maia para “fugir à dívida ao Novo Banco”

O dono do grupo Sogema que é um dos maiores devedores do Novo Banco utilizou a “estratégia de Joe Berardo” para fazer um “calote”, afirma a deputada que conseguiu fazer com que este revelasse a sua ligação a offshores.
Bernardo Moniz da Maia na Comissão de Inquérito. Foto de Mário Cruz/Lusa.
Bernardo Moniz da Maia na Comissão de Inquérito. Foto de Mário Cruz/Lusa.

Na comissão de inquérito às perdas do Novo Banco imputadas ao Fundo de Resolução, Mariana Mortágua confrontou Bernardo Moniz da Maia com o seu plano para “fugir à dívida ao Novo Banco”, através daquilo a que chamou uma “estratégia de Joe Berardo”.

O grupo que este liderava, o Sogema, utilizou empréstimos bancários para comprar ações do BCP. Tornou-se assim um dos maiores devedores do Novo Banco. Só que as dívidas não foram pagas e acabaram por ser colmatadas com as injeções de capital do Estado. E foi por isso que o empresário foi ouvido esta sexta-feira no Parlamento.

Pelo meio houve um elaborado esquema através do qual o empresário terá arranjado forma de aumentar o capital da Euro-Yser de 1,6 milhões de euros para 11,4 milhões. As ações desta empresa do seu grupo funcionavam como colaterais da dívida. Através desta manobra que diluiu os direitos dos credores, recuperou o controlo da empresa. A deputada bloquista recorreu a notas internas do Novo Banco para provar estes movimentos a que chamou “calote”.

Quando o empresário invocou que este aumento de capital foi devido à entrada de “novos investidores”, Mariana Mortágua contrapôs que estes eram parceiros do empresário e da sua família noutras sociedades do mesmo grupo.

Ficou também a ser conhecido, depois da dirigente bloquista ter insistido nas perguntas a que respondia com falta de memória, que Bernardo Moniz da Maia, que não tem património em seu nome, tirando participações em empresas, o leasing de um carro e uma conta na Suíça arrestada pela justiça brasileira, está ligado a offshores no Panamá e nas Ilhas Virgens Britânicas.

O empresário criticou a venda do crédito malparado de 538 milhões de euros a um fundo abutre por 10% do seu valor e alegou que o seu grupo económico tinha oferecido pagar 100 milhões por aquilo que acabou por ser vendido por seis. Apesar desta sua oferta ser para pagar em 15 anos e estar condicionada a mais créditos pagos pelo banco às suas empresas no Brasil.

Quem perde com isto?

Em coluna de opinião no Jornal de Negócios, o jornalista Bruno Faria Lopes explica que “a venda de carteiras de malparado a fundos abutre abre uma escapatória discreta para muitos dos grandes devedores” e que, neste caso, “todos ganham – todos menos o Fundo de Resolução e os contribuintes”. Referia-se à venda da carteira de crédito chamada Nata2 do Novo Banco, na qual as dívidas da Sogema estavam integradas, à Davidson Kempner.

O jornalista pergunta-se “o que acontece às dívidas a seguir” a estas vendas para explicar que “essa é uma área escura sobre a qual pouco se sabe” mas que isto “não é necessariamente mau para um grande devedor” porque irá “resolver a dívida por uma fração do valor nominal”, ao passo que o banco se livra “do calote” e que o detentor do crédito malparado também lucra quando revender a dívida que comprou muito barata.

Assim para Bruno Faria Lopes é fácil de ver que quem perde são “os bancos que alimentam o Fundo de Resolução e os contribuintes, que emprestam, com risco e custo de oportunidade, a esse fundo – que emprestam sem saberem que, em muitos casos, estão a financiar um bilhete de saída barato para os Moniz da Maia da vida.” E para ele, “a história recente da banca portuguesa é feita destas pessoas que devem muito, não têm garantias reais que se vejam, mas têm dinheiro para pagar a advogados”.

Artigo corrigido no dia 2 de maio às 14h.

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