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Maria Teresa Horta recebe Medalha de Mérito Cultural

A escritora, uma das "Três Marias", celebra este ano 60 anos de vida literária. A distinção foi atribuída pelo Ministério da Cultura devido ao seu percurso completo, inovador, insubmisso e de defesa da liberdade de mulheres e homens.
Fotografia de Carmen Almeida.

Maria Teresa Horta vai ser distinguida com a Medalha de Mérito Cultural pelo seu “percurso ímpar na história da cultura portuguesa”. A escritora e jornalista segue-se ao nome de Paula Rego, distinguida com a Medalha em 2019.

Segundo a ministra da Cultura, “Maria Teresa Horta tem um percurso ímpar na história da cultura portuguesa: como artista, foi sempre completa; como romancista, inovadora; como poeta, insubmissa; como cidadã, combateu sempre ao lado da liberdade das mulheres e dos homens”.

Maria Teresa Horta comemora este ano 60 anos de vida literária e em 2021, ano previsto para a cerimónia de entrega desta Medalha (atrasada um ano devido à atual situação pandémica vivida em Portugal), irão assinalar-se 50 anos do início do processo de escrita de “Novas Cartas Portuguesas”, o seu livro mais conhecido, escrito em conjunto com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa.

A sua obra poética editada em Portugal foi coligida em “Poesia Reunida” (2009), a que se seguiu “Poemas para Leonor” (2012), “A Dama e o Unicórnio” (2013), “Anunciações” (2016) – Prémio Autores SPA / Melhor Livro de Poesia 2017 –, “Poesis” (2017) e “Estranhezas” (2018).

Na ficção, é autora dos romances “Ambas as Mãos sobre o Corpo” (1970), “Ema” (1984) e “A Paixão segundo Constança H.” (1994), e coautora, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, das “Novas Cartas Portuguesas” (1972).

Após a publicação do livro, a PIDE considerou os textos "pornográficos" e "imorais", proibindo a sua circulação e venda . Foi há exatamente 47 anos, quase meio século, que as "Três Marias" entraram no tribunal para serem julgadas.

Em 2011, publicou “As Luzes de Leonor”, romance sobre a Marquesa de Alorna distinguido com o Prémio D. Dinis, da Fundação da Casa de Mateus, lembra a agência Lusa.

Em 2014, ano em que lhe foi atribuído o Prémio Consagração de Carreira pela Sociedade Portuguesa de Autores, editou o volume de contos “Meninas”.

No ano passado, publicou "Quotidiano Instável", designação da coluna que assinou no suplemento Literatura & Arte do jornal A Capital, entre 1968 e 1972, reunindo o conjunto de crónicas desse período.

Ao longo dos anos, esta coluna foi assumindo um caráter cada vez mais ficcional no percurso da escritora, e surge na sua bibliografia como "quase um romance", de valor "literário, político e social", nos derradeiros anos da ditadura.

Com livros editados no Brasil e em França, Maria Teresa Horta foi a primeira mulher a exercer funções dirigentes no cineclubismo em Portugal, e é considerada uma das mais destacadas feministas da lusofonia.

Além das várias distinções que lhe foram atribuídas ao longo de 60 anos de carreira, foi recentemente incluída na lista de 50 escritores que compõem "O Cânone" da literatura portuguesa, numa obra de crítica literária editada pela Tinta-da-China, coordenada pelos professores e investigadores António M. Feijó, João R. Figueiredo e Miguel Tamen.

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