You are here

Maré negra no Mediterrâneo ameaça Chipre e Turquia

Milhares de toneladas de petróleo foram derramadas após um acidente numa central de energia na Síria. Os ventos têm afastado a mancha da costa cipriota em direção à Turquia e as autoridades mantêm-se vigilantes.
Imagem de satélite da mancha de petróleo no Mediterrâneo.
Imagem de satélite da mancha de petróleo no Mediterrâneo. Imagem ESA/Analytics Orbital EOS.

O derrame aconteceu a partir de uma fuga de um dos tanques da central de energia da cidade síria de Baniyas e a mancha de petróleo no Mediterrâneo - com uma área equivalente à da cidade de Nova Iorque - pôs o Chipre em estado de alerta durante esta semana, temendo a aproximação à península de Karpas, na costa norte.

Segundo o ministro cipriota do Ambiente e Agricultura, citado pelo Guardian, as mais recentes imagens por satélite indicam que a mancha já não é tão compacta, com pequenas partes a soltarem-se. O rumo da mancha principal vai depender das condições atmosféricas dos próximos dias, em especial da direção dos ventos.

As autoridades no Norte da ilha, reconhecidas apenas pela Turquia, tentaram prevenir a aproximação da mancha negra à costa com a construção de uma barreira artificial de 400 metros. E pediram auxílio aos aliados turcos, que enviaram dois navios para tentar conter e recolher parte do petróleo derramado. Apesar de as condições do vento terem sido favoráveis, prevê-se que uma mudança na sua direção possa trazer a mancha para junto da costa esta sexta-feira. Mas na quinta-feira, a direção da mancha encaminhava-a para a costa turca.

O problema ambiental passa também pelas partes do petróleo que solidificou e ficará depositado no fundo do mar, alertou à France Presse o responsável pelo Turismo e Ambiente do executivo do Norte, Serhan Aktunc.

No lado Sul, na parte da ilha dividida que integra a União Europeia, o Governo requisitou auxílio à agência de segurança marítima da UE, que enviou um navio especializado na recolha de petróleo do mar. Um porta-voz da Comissão Europeia tornou pública a preocupação sobre “o potencial grave impacto ambiental que pode resultar” desta fuga de petróleo e apelou aos países afetados que ativem o protocolo de colaboração previsto na Convenção de Barcelona para combater derrames petrolíferos no Mediterrâneo.

Para os ambientalistas do World Wide Fund for Nature (WWF), o acidente na central síria representa “mais um aviso sobre os principais riscos associados à extração e processamento de hidrocarbonetos na bacia semi-encerrada do Mediterrâneo, que não permite a dispersão de poluentes petrolíferos e onde as consequências de tais acidentes podem causar efeitos negativos a longo prazo nos ecossistemas e comunidades costeiras”.

Termos relacionados Ambiente
(...)