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Marcha pela Justiça enche Istambul e contesta Erdogan

A poucos dias do aniversário do golpe falhado na Turquia, a marcha promovida pelo maior partido da oposição denunciou a repressão que se seguiu e exigiu o fim do estado de emergência.
Marcha pela Justiça em Istambul
Foto Can Kaya/Twitter

O líder do maior partido da oposição, o CHP, arrancou para esta marcha há 25 dias e percorreu várias localidades do país a denunciar as leis de exceção que permitiram ao presidente Erdogan fazer uma purga no aparelho de Estado e enviar dezenas de milhares de pessoas para a prisão. 105 mil funcionários públicos foram simplesmente afastados de funções após o golpe militar falhado de julho de 2016.

Ao ritmo do slogan “Hak, hukuk, adalet” - “Direitos, lei e justiça” -, a marcha foi juntando milhares de pessoas pelo caminho e culminou num comício ao ar livre este domingo em Istambul, junto à prisão onde estão detidos deputados da oposição. Mais de um milhão de pessoas participaram na iniciativa deste domingo.

O líder do CHP, Kemal Kilicdaroglu, defendeu esta sexta-feira num artigo publicado no Guardian que o direito humano básico à justiça foi retirado dos cidadãos turcos pelo “regime autoritário”, com os juízes imparciais a serem removidos dos cargos e acusados e “os advogados que representam opositores políticos a enfrentarem ameaças de prisão”.

“As nossas prisões estão cheias: libertam-se criminosos para arranjar espaço para dissidentes políticos e jornalistas”, denunciou Kilicdaroglu, antes de concluir que espera que esta marcha seja só o início de um movimento pela justiça que se faça ouvir para além das fronteiras da Turquia.

Erdogan chama "terrorista" ao co-presidente do HDP preso durante as purgas

Tal como outros partidos da oposição, também o HDP, partido com forte implantação junto da população curda, se juntou a esta Marcha pela Justiça. O co-presidente e deputado do HDP está preso sob acusação de terrorismo e viu a última audiência cancelada por se recusar a ser algemado durante as horas de transporte até ao tribunal. Na cimeira do G-20 em Hamburgo, o presidente Erdogan substituiu-se aos juízes ao afirmar que Selahattin Demirtas “é um terrorista”, motivando protestos por parte do HDP.

“Ainda por cima, o facto de Erdogan ter dito na frase anterior a chamar terrorista a Demirtas, que ‘A Turquia é um país onde vigora o estado de direito’ e em seguida, ‘o poder judicial é independente’ é francamente notável: ele mente, em ambos os casos”, acusa o comunicado do HDP.

 

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