You are here

“Marcelo não tem um comportamento digno de Presidente da República"

Numa sessão em Guimarães, a porta-voz do Bloco criticou “o candidato da direita”, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que Portugal não pode ter pode ter como Presidente da República alguém que "se desdiz a cada momento". Em jeito de balanço de 2015, Catarina Martins lembrou ainda o papel desempenhado pelo Bloco para "parar a direita" e possibilitar um novo Governo.
Em Guimarães, para o jantar de Ano Novo do Bloco vimaranense, Catarina Martins concentrou o seu discurso nas eleições presidenciais e tomou Marcelo Rebelo de Sousa como alvo. Foto Estela Silva/Lusa.

Em Guimarães, para o jantar de Ano Novo do Bloco vimaranense, Catarina Martins concentrou o seu discurso nas eleições presidenciais e tomou Marcelo Rebelo de Sousa como alvo, questionando se Portugal pode ter como Presidente da República alguém que "se desdiz a cada momento" e salientando que o mais lato cargo do Estado tem de ser ocupado por quem "se possa levar a sério".

A porta-voz do Bloco de Esquerda criticou o candidato Marcelo Rebelo de Sousa que agora se diz “preocupado com um país dividido”, embora tenha passado os últimos anos a explicar as políticas de austeridade do Governo PSD-CDS e, portanto, ajudado a manter “o país unido a empobrecer”.” Sim, porque quando a direita estava no Governo o país não estava dividido”, ironizou Catarina Martins, acrescentando que Marcelo só se preocupa agora porque há uma diferença: “um outro país que se levanta para recuperar rendimentos, dignidade e justiça”.

Catarina Martins disse ainda que há muitas diferenças e divergências em relação ao candidato Marcelo pois este “queria continuar a criminalizar as mulheres que abortassem” [referindo-se ao referendo sobre a despenalização da IV em 2007],“justificou a austeridade e fez campanha ao lado de Passos e Portas”, “garantiu candidamente, no seu programa de televisão, que no BES estava tudo bem” e foi também “o homem que disse que nem lembrava ao careca o orçamento de 2012 ser inconstitucional, embora agora até ache que era inconstitucional”.

"Marcelo Rebelo de Sousa é perigoso, não só por ser o candidato da direita, PSD e CDS, mas também porque é um homem que não tem um comportamento digno de Presidente da República", afirmou Catarina Martins.

A porta-voz do Bloco considera que há perguntas que se devem colocar "da direita à esquerda" no que toca à escolha do sucessor de Cavaco Silva.

"Consideram que Portugal pode ter como Presidente da República alguém que diz uma coisa e o seu contrário no mesmo momento? Podemos nós ter como Presidente da República alguém que se desdiz a cada momento, que diz que o que disse não que disse, que acredita numa coisa e a seguir na noutra? Não merece Portugal um Presidente da República que possa levar a sério e que se leve a serio", questionou, finalizando com um alerta: "Esta é também a decisão destas eleições", referiu.

O país de Marcelo Rebelo de Sousa "será sempre o velho país dos interesses e da subalternização do povo aos interesses económicos".

Segundo Catarina Martins, o candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa tem mesmo problemas em se reconhecer. "Vimos todos ontem (segunda-feira), no debate com Marisa Matias, como Marcelo Rebelo de Sousa é capaz de dizer qualquer coisa. E no dia seguinte dizer outra. Eu diria mesmo que o Marcelo-candidato nem sequer conhece o Marcelo-comentador, não faz ideia do que ele disse, nem tem nada a ver com isso", apontou.

O "novo país" não pode aceitar o país de Marcelo Rebelo de Sousa porque esse "será sempre o velho país dos interesses e da subalternização do povo aos interesses económicos".

Por isso, para a porta-voz do Bloco há apenas uma candidata a considerar. "A próxima Presidente da República terá em cima da sua mesa decisões muito complicadas, sobre quanto vale a nossa Constituição face a acordos comerciais internacionais que a querem derrotar, sobre conteúdos concreto dos direitos fundamentais sociais em que se baseia a nossa democracia. Não podemos entregar estas questões a quem não sabe ou a quem não é capaz de dizer que opinião tem sobre nenhuma delas na campanha eleitoral", contextualizou.

"Nenhum ou nenhuma candidata foi clara nestes pontos como a Marisa [Matias] até agora. Só a Marisa teve as palavras claras", concluiu.

“Se não fosse o Bloco não existiria um acordo para parar a direita"

Catarina Martins referiu-se ainda ao papel do Bloco no levantamento desse “novo país”, isto é, na "derrota" da direita e do PSD e CDS de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

"Não há ninguém que não saiba em Portugal que se não fosse o Bloco não existiria um acordo para parar a direita" afirmou, deixando alguns avisos:

"Nunca votaremos contra a nossa consciência, como não o fizemos no caso do Banif, mas também nunca nos fecharemos ao diálogo", destacou.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Marisa 2016, Política
Comentários (1)