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Marcelo e Costa “não vão fazer as alterações de fundo” necessárias para defender o SNS

Em entrevista ao Expresso, Marisa Matias considera que um dos maiores erros do atual presidente foi “não ter protegido devidamente o SNS”. A ser eleita promete trabalhar para fazer pactos sobre saúde, combate à precariedade e alterações climáticas, corrupção e luta pela igualdade.
Marisa Matias em frente a um cartaz de campanha. Dezembro de 2020. Foto Nuno Fox/Lusa.
Marisa Matias em frente a um cartaz de campanha. Dezembro de 2020. Foto Nuno Fox/Lusa.

O Expresso publicou esta quinta-feira uma entrevista com Marisa Matias na qual ela vinca a defesa do Serviço Nacional de Saúde, considerando que uma das “falhas muito significativas” do mandato do atual Presidente da República foi “não ter protegido devidamente o SNS”.

Para a candidata presidencial, “tivemos uma oportunidade de ouro que foi a Lei de Bases da Saúde, na linha do que foi proposto por António Arnaut e João Semedo”. Só que “a influência de Marcelo para a manutenção dos privados fragilizou a proposta inicial”. Também o primeiro-ministro deve ser responsabilizado por esse facto. Pelo que “num cenário de reeleição, que é muito provável, questões como a defesa do SNS estarão em perigo porque não creio que a dupla Marcelo/António Costa tenha nenhuma intenção de fazer as alterações de fundo para salvaguardar as condições de funcionamento, a proteção dos profissionais e a defesa do SNS”.

Por outro lado, Marisa Matias acredita que Marcelo Rebelo de Sousa fica a ganhar na comparação com Cavaco Silva porque, ao invés deste, “não tentou lutar contra uma solução que traduzia a vontade democrática das pessoas e que traduzia uma maioria sólida no Parlamento”.

Sendo o presidente em exercício, a eurodeputada reconhece Marcelo “como adversário” mas também pretende derrotar o candidato da extrema-direita, um candidato ao qual não quer “dar centralidade” mas que promete “não naturalizar”. Isto “ao contrário de outras forças políticas e de outras personalidades” como o “próprio Presidente”.

A candidata reiterou, mais uma vez que “não viabilizaria uma maioria que dependesse do Chega”. A sua aposta é conquistar as pessoas para a democracia “vendo os problemas resolvidos e tratados com decência”. Para ela, “não é apontando um caminho sem retorno que se salvam estas pessoas, até porque nesse programa não há nada que lhes responda”.

Ainda a este propósito voltou a criticar a postura de Marcelo ao aceitar que se tenha formado, nos Açores, um governo dependente da extrema-direita. Marisa acredita que o presidente devia ter “protegido a constituição” e que havia alternativa ao caminho escolhido.

A ser eleita, Marisa compromete-se a procurar pactos. E elenca: “um pacto para a saúde, prioritário, é um dos eixos fundamentais da democracia”; outro pacto sobre combate à precariedade, “questão fundamental e que não foi tocada”; outro ainda sobre combate às alterações climáticas; e finalmente sobre “as questões relacionadas com o combate à corrupção e à luta pela igualdade”.

A eurodeputada foi ainda questionada sobre dois casos que estão na ordem do dia a TAP e o SEF. Sobre a primeira, afirmou que não é “explicável” que haja cortes e despedimentos na empresa e o salário de quem foi promovido a CEO duplique e que não faz sentido um “esforço” para depois entregar a companhia aérea à Lufthansa. Sobre despedimentos na TAP declarou que “no caso de ser necessário reduzir os quadros, é preciso ver o que fazemos a esses trabalhadores” uma que não estaremos “em condições de abdicar da competência, da experiência, do conhecimento técnico destes trabalhadores”.

Sobre o SEF, Marisa Matias realça que “os problemas não são de agora” e que “a questão essencial é que não podemos ter uma política de perseguição à imigração”. Daí que “não podemos ter um serviço policial para responder à imigração. Temos de ter um serviço administrativo reforçado”. Sobre se o ministro da Administração Interna deve continuar no cargo depois do assassinato de Ihor Homeniuk, ressalva que “essa decisão não é do Presidente” mas “enquanto cidadã” diz que “Eduardo Cabrita não tem condições” para permanecer em funções porque “está fragilizado demais”. Já Marcelo “ultrapassou as suas funções ao reunir com o diretor de uma força policial e definir o futuro com um ministro ainda em funções”.

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