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Manifesto 3D: "Convergência não foi possível"

Promotores afirmam que “não foi possível encontrar uma solução inclusiva” e rejeitam proposta do Bloco. João Semedo explica as diversas propostas apresentadas. Prioridade do Bloco era acordo político.
Foto de Inácio Rosa, Lusa.

A Comissão Coordenadora do Manifesto 3D anunciou em comunicado que não foi possível encontrar uma solução "que correspondesse aos objetivos do Manifesto 3D”, apesar de constatar a concordância de princípio com a “necessidade da convergência nesta área política e com as questões programáticas essenciais constantes no Manifesto 3D, expressa por todos os interlocutores”.

Os promotores anunciam que nos próximos meses irão promover encontros em vários pontos do país com os subscritores, para debater os desenvolvimentos futuros desta iniciativa, a culminar numa assembleia de subscritores.

Bloco rejeita coligação com partido de Rui Tavares

Ao Esquerda.net, João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda, explicou que, numa reunião realizada no dia 11 de Janeiro, os promotores do Manifesto 3D apresentaram duas possibilidades para concretizar a convergência eleitoral de Bloco de Esquerda, Renovação Comunista, o pró-Partido Livre e os promotores do Manifesto 3D. A primeira era a criação de um “partido-envelope” para uma candidatura conjunta. “Caberia ao Bloco de Esquerda apoiar a legalização de um novo partido, recolhendo assinaturas e abdicando de uma candidatura própria”, explica João Semedo. A hipótese alternativa era uma coligação entre o Bloco e o Partido Livre (se constituído entretanto).

O Bloco de Esquerda explicou que não podia considerar estas hipóteses e abriu a possibilidade de outro caminho. “Recusámos uma hipotética coligação com o Partido Livre por considerar que esta iniciativa de Rui Tavares tem como património político essencial a orientação do seu mandato no Parlamento Europeu, e este mandato foi desenvolvido no grupo dos Verdes Europeus, que apoiou o Tratado Orçamental europeu”, disse João Semedo. De facto, Rui Tavares aprovou, por exemplo, o visto prévio aos orçamentos nacionais, afirmando-se como aberto defensor do projeto federalista, ao qual o Bloco se opõe desde sempre.

João Semedo chamou a atenção para o facto de ter sido Rui Tavares a afastar-se do espaço político da Esquerda Europeia ao deixar o grupo de eurodeputados do Bloco e ao integrar os Verdes Europeus. Semedo explicou ainda que "a proposta do partido-envelope significaría fazer desaparecer o Bloco nas europeias a favor de um novo partido a formar, do qual os membros do Bloco estariam excluídos porque a dupla filiação é proibida por lei, e cujo destino pós-eleitoral seria uma incógnita”. De resto, esta opção “implicaria um mandato democrático do partido que só uma Convenção Nacional poderia conferir”.

Na reunião de 11 de Janeiro, a delegação do Bloco de Esquerda propôs aos representantes do Manifesto 3D que fossem dados “passos imediatos para um acordo político em torno de uma plataforma programática e de um compromisso de candidatura”, que resultaria numa coligação - se 3D optasse pela constituição em partido - ou na participação do 3D na lista do Bloco, podendo ainda ser alargado a outros parceiros por acordo mútuo entre Bloco e 3D.

3D rejeita proposta do Bloco

Em carta enviada esta segunda-feira, os promotores do Manifesto 3D rejeitaram esta última proposta, “por não preencher os critérios de inclusividade e abrangência que consideramos indispensáveis a uma candidatura de convergência credível e mobilizadora”. Na mesma carta, os promotores do 3D “registam entretanto como elementos positivos comuns a todas as reuniões realizadas, a disponibilidade, respeito mútuo e abertura para debater as soluções de convergência política”.

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