You are here

Manifestantes exigem medidas imediatas contra poluição no Tejo

Cerca de 300 pessoas manifestaram-se este sábado em Lisboa contra a poluição no Tejo e seus afluentes, exigindo medidas imediatas para conter o problema. Deputado do Bloco Carlos Matias denunciou a “passividade cúmplice com a poluição”.
Foto de Manuel de Almeida, Lusa.

“Manifestamo-nos para exigir que de uma vez por todas e de forma imediata sejam tomadas medidas”, explicou Paulo Constantino, porta-voz do Movimento pelo Tejo – PROTEJO, em declarações aos jornalistas.

Entre as medidas reivindicadas estão a realização de mais fiscalizações, a identificação dos poluidores de “forma inequívoca e a revisão das licenças”, além da “necessidade de revisão e suspensão das licenças de descargas de fluentes de algumas empresas que são os agentes poluidores do rio Tejo”.

“Não podemos continuar a assistir a milhares de peixes mortos no rio Tejo, queremos que os ecossistemas aquáticos sejam preservados e que as águas do rio Tejo estejam em bom estado ecológico”, frisou Paulo Constantino.

O ativista assinalou que “as comunidades ribeirinhas a montante de Lisboa têm problemas e também em Lisboa é necessário que haja mobilização para que eles sejam resolvidos”.

“É no Terreiro do Paço que acaba a manifestação e é aí que está a sede do poder político e queremos exigir a esse poder político que tome medidas imediatas para conter a poluição”, acrescentou.

"Rio sim, esgoto não, queremos um Tejo são!", “Lisboa, Lisboa poluição não, devolvam o Tejo à população”, "Rio sim, nuclear não, queremos um Tejo são!", “A impunidade não é solução, devolvam o Tejo à população” e “Menos palavras e mais ação, devolvam o Tejo à população” foram algumas das palavras de ordem lançadas durante a iniciativa.

Foram ainda empunhados vários cartazes com frases como “Poluição Não”, “Marcelo, vai um mergulho”, “Onde está a Agência Portuguesa do Ambiente?”, “Por um Tejo vivo não à poluição”, “Basta de poluição” e “Salvem o rio Tejo”.
 

Nuno Sequeira, da direção associação Quercus, alertou que “a situação no Tejo tem vindo a piorar de ano para ano”: “O rio Tejo tem diversos problemas, começando desde a sua entrada em Portugal que chega com caudais baixíssimos, já com cargas poluentes elevadíssimas, descargas poluentes por empresas, peixe ilegal, agricultura intensiva”, vincou.

Nuno Sequeira advertiu ainda que, “caso o Governo não tome medidas imediatas, os problemas do rio Tejo podem chegar a Lisboa”.

Também Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, defendeu, em declarações à agência Lusa, que “é fundamental tomar medidas”, sendo “a área mais importante a fiscalização”.

Francisco Ferreira assinalou que a legislação que não está a ser cumprida, que não se consegue ter qualidade balnear no Tejo e não existe um acompanhamento contínuo das “muitas descargas ilegais”.

Neste contexto, defende, para além da fiscalização por parte da GNR e dos vigilantes da natureza, que o Governo instale urgentemente “um mecanismo de monitorização em tempo real” para saber a situação do rio Tejo.

"Temos assistido a uma passividade cúmplice com a poluição"

O deputado bloquista Carlos Matias avançou que “a força dos moradores e das moradoras das terras ribeirinhas que sofrem com a poluição é decisiva para que as coisas mudem de uma vez por todas”.

“Infelizmente, aquilo a que temos assistido é uma passividade cúmplice com a poluição”, referiu o deputado, dando o exemplo da Celtejo.

O dirigente do Bloco lembrou que, no ano passado, “o ministro garantiu que, em maio último, quando fosse concluída a lagoa de decantação da Celtejo em Vila Velha de Rodão, seguramente iriam ser notadas melhorias no Tejo”.

“E aquilo que vemos e que sabemos é que as melhorias não aconteceram. Estamos em outubro e continuam a morrer peixes”, afirmou Carlos Matias, defendendo que “é preciso que continuem a ouvir-se as vozes das populações”. 

 

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Ambiente
(...)