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Manifestações europeias pelo fim do óleo de palma nos combustíveis

Várias capitais europeias foram palco de manifestações contra o uso de óleo de palma nos biocombustíveis. Protestos visam convencer Comissão Europeia a banir apoios aos "falsos combustíveis verdes", cujo impacto ambiental é pior que os tradicionais.
Foto da Campanha #NotInMyTank
Foto da Campanha #NotInMyTank

Berlim, Bruxelas, Lisboa, Madrid, Paris, Roma - em todas estas capitais as representações da Comissão Europeia têm hoje manifestações à porta pelo fim da produção de óleo de palma para biocombustíveis.

A campanha "No meu depósito não" (#NotInMyTank), lançada em Novembro do ano passado por associações ambientalistas de 10 países, entre elas a associação Zero em Portugal, visa convencer a Comissão Europeia a banir o que chama de falsos combustíveis verdes. Uma petição recolheu até à data cerca de 550 mil assinaturas.

Em Lisboa, pela manhã de hoje, com várias ativistas mascarados de orangotango, o presidente da associação Francisco Ferreira apelou ao Governo e à Assembleia da República para legislar no sentido de impedir a presença do óleo de palma no gasóleo vendido dos postos de abastecimento.

Os biocombustíveis, provenientes de óleos vegetais, foram promovidos durante anos como uma alternativa "verde" aos combustíveis fósseis. Mas não só não diminuem a emissão de gases com efeito de estufa, como levam à reconversão de terras aráveis dedicadas a culturas alimentares, o que diminui a oferta e encarece os géneros alimentares, e à desflorestação de vastas áreas de floresta para conversão em plantações.

O óleo de palma é um dos produtos mais utilizados pela indústria alimentar. O seu uso em mistura com o gasóleo de petróleo, vendido como biocombustível "verde", levou a uma expansão agressiva da produção que agravou estes impactos ambientais. As florestas tropicais da Indonésia e da Malásia foram particularmente afectadas pela expansão da cultura da palmeira, que também ameaça a floresta amazónica. As associações ambientalistas calculam que, tendo em conta os efeitos da desflorestação, o impacto ecológico dos biocombustíveis é 3 vezes pior que o dos combustíveis tradicionais. Os orangotangos, das espécies mais ameaçadas pela desflorestação, tornaram-se um símbolo da luta contra contra a destruição das florestas tropicais.

Na Europa, cerca de metade de todo o óleo de palma importado em 2018 foi parar aos depósitos de combustível. Em Portugal, segundo a associação Zero, entre Janeiro e Setembro de 2018 tinham sido consumidos 31 milhões de litros, 4 vezes mais que em todo o ano de 2017.

Por estas razões, várias campanhas ambientalistas têm batalhado contra os apoios ao biodiesel. Em Maio de 2018 conseguiram uma vitória no Parlamento Europeu com a aprovação da chamada "lei da energia verde", que recomenda o seu fim. Mas esta decisão será em vão se não for adotada pela Comissão Europeia, que no próximo dia 1 de Fevereiro decide sobre o assunto. A Comissão está sujeita a um lobby intenso dos sectores pró-biocombustíveis, nomeadamente os governos da Indonésia e Malásia, que ameaçam não assinar novos acordos de comércio com a UE caso haja restrições às suas exportações.

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