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Manifestações este sábado pelos direitos humanos, contra a violência e o racismo

Na base das manifestações que terão lugar em Lisboa, Porto e Coimbra está, nomeadamente, a exigência "de justiça para Cláudia Simões e para todos os que são alvo da violência racista". Bloco estará presente e apela à participação nestas iniciativas. "Este é um problema que nos deve interpelar a todas e a todos", destaca a deputada Beatriz Dias. Atualizado a 31.01.2020 às 15h06.

Bateram numa de nós, bateram em todos nós! O racismo não passará!

No texto da convocatória dos eventos, de Lisboa, no Marquês de Pombal, Porto, na Praça dos Poveiros, e Coimbra, na Praça da República, às 15h, os vários coletivos que organizam as manifestações destacam que “a violência racista do Estado é sistemática nos bairros periféricos de Lisboa, para reprimir e aterrorizar, para manter os negros e ciganos, trabalhadores e pobres, na condição de cidadãos de segunda, dificultando a organização e a luta contra este sistema”.

“Como sempre, depois da agressão vem a campanha de difamação, iniciada pela PSP e feita pelas maiores empresas de comunicação social de Portugal, que dão voz a racistas e à extrema-direita”, lê-se na nota.

Na base das manifestações que terão lugar este sábado está a exigência de justiça para Cláudia e para todos os que são alvo desta violência, a punição dos criminosos responsáveis pela agressão e a expulsão de todos os racistas e agressores da PSP, a realização de uma investigação séria e independente ao racismo em todas as forças de segurança, feita pelas nossas organizações, e a implementação de políticas firmes de combate aos discursos racistas nos meios de comunicação social.

Acabar com "impunidade da violência policial racista"

Aquando da tomada de conhecimento das agressões a Cláudia Santos, espancada por um agente da PSP porque filha menor se tinha esquecido do passe, a associação SOS Racismo fez saber que "tudo fará para que o caso seja conduzido até às últimas consequências para que se faça justiça e que se acabe com a impunidade da violência policial racista".

Em comunicado, os ativistas antiracistas repudiaram a "impunidade que tem permitido a perpetuação do abuso de força e uso de violência por partes de elementos das forças de segurança contra pessoas racializadas".

"Este é um problema que nos deve interpelar a todas e a todos"

Os bloquistas apelam à participação nas manifestação deste sábado, sendo que o ponto de encontro do Bloco na manifestação de Lisboa é no cruzamento entre a Rua Braancamp e o Marquês de Pombal.

De acordo com a deputada Beatriz Gomes Dias, "esta manifestação é uma forma de prestar solidariedade à Cláudia Simões, mas é também um momento de denuncia de um caso de violência policial contra pessoas racializadas, que está longe de ser um caso isolado"

"Devem ser apurados, de forma cabal, os factos, sem descartar o racismo denunciado pela vítima", afirmou a deputada bloquista em declarações ao esquerda.net, sinalizando que "este é um problema que nos deve interpelar a todas e a todos".

"É importante que estes casos não fiquem na impunidade", vincou.

Beatriz Gomes Dias referiu ainda que "é urgente a criação de um órgão independente que fiscalize e investigue estas situações, a implementação de programas de formação antirracista para as forças de segurança e a aposta no policiamento de proximidade".

O Bloco questionou o governo sobre a violência exercida pelo agente da PSP contra Cláudia Simões, perguntando, numa missiva endereçada ao ministério da Administração Interna (MAI), que medidas concretas têm sido tomadas para formar adequadamente as forças policiais, nomeadamente no que diz respeito ao uso da força, e se já deu conhecimento ao IGAI dos factos para apuramento de responsabilidades.

No documento, o Bloco aponta que “vê com preocupação os casos de violência policial, um problema diagnosticado por diversas entidades e referido em relatórios recentes da Amnistia Internacional ou da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância”.

 

 

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