Mali vai hoje a votos e presidente cessante é o favorito

12 de August 2018 - 17:51

Os resultados da primeira volta foram contestados pela oposição, mas todos os recursos apresentados foram rejeitados pelo Tribunal Constitucional. Hoje os eleitores decidem entre Keïta, presidente cessante, e Cissé, líder da oposição.

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Mali vai hoje a votos e presidente cessante é o favorito
Eleitores fazem fila para votar em Bamako, capital do Mali. Foto de Katarinah/Twitter.

Tem hoje lugar a segunda volta das eleições presidenciais do Mali, onde 8,4 milhões de eleitores irão decidir entre Ibrahim Boubacar Keïta, presidente cessante, e Soumaila Cissé, líder da oposição. 

Na primeira volta, a 29 de julho, os resultados apresentados pela presidente do Tribunal Constitucional, Manassa Danioko, mostraram o atual chefe de Estado, Ibrahim Boubacar Keita, também conhecido por IBK, como o mais votado, tendo obtido 41,70% dos votos.

Cissé alegou que os resultados não eram "verdadeiros ou credíveis”. A oposição alegou que o poder vigente manipulou as eleições, mas todos os recursos apresentados foram rejeitados pelo Tribunal Constitucional. 

Ambos os candidatos já se tinham encontrado numa segunda volta nas eleições presidenciais de 2013, onde IBK venceu com mais de 77% dos votos.

Segundo a agência Lusa, dos 22 candidatos que participaram na primeira volta, vários apelaram agora ao voto em IBK, enquanto outros mantiveram-se neutros e declararam não apoiar nenhum dos dois candidatos da segunda ronda, como foi o caso de dois dos principais opositores neste escrutínio, que ocuparam o terceiro e o quarto posto na primeira ronda - o empresário Aliou Diallo, que obteve 8,03% dos votos, e o ex-primeiro-ministro Cheick Modibo Diarra (7,39%).

O Mali vive uma situação de crise política desde o golpe de Estado militar de 2012, a que se seguiu uma rebelião independentista dos tuaregues no norte, apoiados por grupos jihadistas locais.

Com cerca de cem observadores na primeira volta eleitoral, a União Europeia, o maior doador internacional do Mali, exigiu a publicação de resultados discriminados e pediu mais transparência na segunda ronda, bem como a garantia de acesso a todos os locais de votação; isto porque na primeira volta, cerca de 250 mil eleitores não conseguiram votar no centro e no norte do país. Por seu turno, a diplomacia maliana pediu à União Europeia para “não atrapalhar o processo eleitoral”.