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Malária: nova investigação com mosquitos transgénicos

A malária mata quinhentas mil pessoas por ano, a maioria das quais crianças, e as investigações na área têm-se multiplicado. Recentemente foram publicados os resultados de uma investigação com mosquitos transgénicos, mas com que consequências?
Ribossoma de Pasmodium falciparum, foto de eLife - the journal/Flickr

A malária mata por ano cerca de meio milhão de pessoas, dos quais 80% são crianças com menos de cinco anos na África subsaariana. Apesar dos tratamentos que existem atualmente, das redes mosquiteiras e dos inseticidas que se utilizam, a cada minuto morre uma criança com malária.  Essa é a razão pela qual a doença tem sido alvo de muita pesquisa. A malária é causada por um dos quatro tipos  de parasitas do género Plasmodium e é transmitida por  o mosquito Anopheles. Por esta razão, a estratégia para erradicação da doença está centrada na eliminação do parasita (específico da cada zona) ou contra o mosquito que transmite o parasita. Os tratamentos combinados, com aprovação pendente da OMS são baseados na artemisinina e a futura vacina, concentram-se em eliminar do sangue o parasita ou em evitar a infecção.

Além destes medicamentos, as equipas de investigadores também têm apostado na manipulação genética dos mosquitos. Pesquisas anteriores estudaram a possibilidade de introdução de machos estéreis na população de mosquitos, o que, obviamente, reduziria o número de indivíduos das populações. As equipas de investigadores aperceberam-se que, para esta estratégia surtir efeito, teriam de introduzir um elevadíssimo número de machos estéreis em cada zona, o que não seria aceite pelas populações humanas que residem na mesma área. Além disso, se os mosquitos fossem extintos, o nicho ecológico por eles ocupado ficaria vazio, e estas situações são sempre imprevisíveis, não se sabendo quais as consequências da ocupação do habitat por outro animal.

Uma investigação que foi recentemente anunciada como podendo ter um impacto importante nos próximos anos foi publicada por cientistas da Universidade da Califórnia que conseguiram criar um mosquito transgénico resistente à malária e que, logo, evita a sua transmissão. A técnica utilizada consiste na introdução de genes no genoma do mosquito, que o tornam resistente ao parasita da malária. Resultados preliminares provaram que a técnica teve um sucesso de 99.5% com um género específico de mosquitos, responsável pela transmissão da malária na Índia. No entanto, a investigação com a criação de animais transgénicos tende a apresentar uma visão simplista dos seus resultados. A introdução de genes num organismo pode ter um efeito complexo e que vai muito para além daquilo que é demonstrado inicialmente, uma vez que os genes têm interações complexas e impossíveis de antecipar e que podem revelar-se só ao fim de um certo tempo. Adicionalmente, a forma como estes mosquitos reagirão na natureza é também ela imprevisível, uma vez que são animais transgénicos.

A pesquisa sobre a malária através de medicamentos que curem os humanos, tem tido resultados muito promissores, que devem continuar a ser explorados. Há uns meses atrás, uma equipa de investigadores anunciou a descoberta de um fármaco de baixo custo e inoculação oral, que apresentou resultados extremamente promissores (ler aqui).

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