You are here

Malala Yousafzai: “Temo pelas minhas irmãs afegãs”

A vencedora do Prémio Nobel da Paz acusa os países ocupantes de terem usado “os afegãos como peões nas suas guerras ideológicas e gananciosas”. Malala alerta que “os temores das mulheres afegãs são reais” e defende que “não podemos continuar a falhar-lhes”.
Malala Yousafzai, a mais jovem vencedora do Prémio Nobel da Paz. Foto das Nações Unidas, Flickr.

Num artigo de opinião publicado no The New York Times, Malala Yousafzai, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato por parte dos talibãs e é a mais jovem vencedora do Prémio Nobel da Paz, fala sobre os seus temores no que respeita às mulheres e meninas que ficam à mercê dos talibãs.

“Os talibãs, que até perderem o poder há 20 anos proibiram quase todas as meninas e mulheres de frequentar a escola e aplicaram punições severas àquelas que os desafiaram - estão de volta ao controlo. Como muitas mulheres, temo pelas minhas irmãs afegãs. Não posso deixar de pensar na minha própria infância”, escreve Malala.

A jovem ativista lembra que, quando os talibãs assumiram a sua cidade natal no Vale do Swat, no Paquistão, em 2007, proibiram as meninas de receberem educação e ela teve de esconder os seus livros sob o seu “xaile longo e pesado” e caminhou para a escola com medo. Cinco anos depois, quando tinha 15 anos, os talibãs tentaram matá-la por falar abertamente sobre o seu direito de ir à escola.

“Não posso deixar de ser grata pela minha vida agora (…) não consigo imaginar perder tudo”, refere Malala.

A mais nova vencedora do Prémio Nobel da Paz afirma que, apesar de alguns talibãs garantirem que não negarão a mulheres e meninas educação ou o direito ao trabalho, “os temores das mulheres afegãs são reais”, tendo em conta “a história dos talibãs de suprimirem violentamente os direitos das mulheres”.

“Já estamos a ouvir os relatos de alunas a ser rejeitadas nas suas universidades, trabalhadoras nos seus escritórios. Nada disso é novo para o povo do Afeganistão, que esteve preso por gerações em guerras por procuração de potências globais e regionais”, assinala Malala.

“Os países que usaram os afegãos como peões nas suas guerras ideológicas e gananciosas deixaram-nos a aguentar o peso por sua conta”, denuncia a ativista.

De acordo com Malala, “ainda não é tarde para ajudar o povo afegão”: “Os poderes regionais devem ajudar ativamente na proteção de mulheres e crianças. Os países vizinhos - China, Irão, Paquistão, Tajiquistão, Turcomenistão - devem abrir as suas portas para os civis em fuga. Isso salvará vidas e ajudará a estabilizar a região”, frisa.

“Eles também devem permitir que crianças refugiadas se matriculem em escolas locais e organizações humanitárias para estabelecer centros de aprendizagem temporários em acampamentos e assentamentos”, acrescenta.

Malala Yousafzai remata que “teremos tempo para debater o que fracassou na guerra do Afeganistão, mas neste momento crítico devemos ouvir as vozes das mulheres e meninas afegãs. Eles estão a pedir proteção, educação, liberdade e o futuro que lhes foi prometido”.

“Não podemos continuar a falhar-lhes. Não temos tempo a perder”, conclui Malala.

Termos relacionados Internacional
(...)