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Mais de metade dos cinemas em risco de fechar até ao final do ano

Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais alerta para o impacto que os novos horários de encerramento terão num setor já muito afetado e pede mecanismos de apoio na área do cinema.
Mais de metade dos cinemas em risco de fechar até ao final do ano
Fotografia de do u remember/Flickr.

A Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais (FEVIP) alerta que mais de metade das salas de cinema pode encerrar até ao final do ano, caso não existam mecanismos de apoio para dar resposta aos problemas criados no setor pela pandemia da covid-19.

"Estamos a atravessar um período negro, de que ninguém tem culpa e temos de encontrar soluções, todos, que nos permitam ultrapassar isto, sob pena de fechar", afirmou à agência Lusa António Paulo Santos, diretor-geral da FEVIP.

Segundo a resolução do Conselho de Ministros que entrou em vigor a 4 de novembro, os equipamentos culturais - incluindo as salas de cinema - situados nos 121 concelhos de Portugal continental sujeitos ao confinamento parcial passam a ter de encerrar às 22:30.

Nestes 121 concelhos estão localizadas grande parte das 544 salas de cinema do circuito de exibição. Estas estão concentradas sobretudo nos distritos de Lisboa (144), Porto (90), Setúbal (48) e Braga (40), segundo dados do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

"Se estas empresas encerrarem, e estamos a falar de mais de 50% das salas de cinema que podem encerrar até ao final do ano, deixamos de ter uma oferta eclética e cultural a nível do território nacional e que os portugueses gostam de ver", alertou o diretor-geral da FEVIP.

Esta obrigatoriedade de encerramento, no entender da FEVIP, afeta "a única sessão que era lucrativa”.

"Esta incongruência tem reflexos e é perversa - não estou contra o Governo -, mas tem que se pensar no ecossistema todo. [...] Encerra-se e agora vamos encontrar medidas de apoio ao setor, para que quando reabrir continue a funcionar e para que permita subsistir no período de encerramento", disse António Paulo Santos.

"Não há apoios para o cinema, podem recorrer ao ‘lay-off’, há legislação para rendas flexíveis, mas não se consegue aplicar na prática, e estamos a falar de rendas de mais de cem mil euros por mês”, explicou.

Segundo o ICA, até setembro registaram-se quebras de 71% face a 2019, tanto em número de espectadores como em receita de bilheteira nas salas de cinema, sobretudo desde março. Os dados do instituto indicam que até setembro as salas de cinema registaram 3,2 milhões de espectadores, quando no mesmo período de 2019 tinham sido 11,5 milhões.

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