Mais de duas mil crianças em risco de desnutrição, revela relatório do SNS

03 de September 2021 - 18:16

Apenas 25% dos doentes mais novos com problemas de nutrição foram sujeitos a qualquer intervenção para melhorar o seu estado nutricional. Relatório revela vários constrangimentos no acesso a cuidados de saúde, resultantes da crise pandémica.

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Foto de Paulete Matos.

O Relatório de Acesso a Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas de 2020, citado pelo Jornal de Notícias, refere que, no ano passado, 68% dos hospitais tinham implementado o rastreio nutricional, com 46% a executarem esta avaliação em todo o estabelecimento hospitalar.

Cerca de 74 mil doentes foram submetidos ao rastreio nutricional até às primeiras 48 horas após a admissão, o que representa um aumento de 26 mil face a 2019. Estes 74 mil doentes equivalem a 27% dos doentes admitidos entre janeiro e agosto de 2020.

Entre os rastreados, 17.167 apresentavam risco nutricional. Destes, 8.774 foram sujeitos a intervenção. Já no que concerne aos doentes com menos de 18 anos, foram registados 2.184 doentes em risco e apenas 546 foram sujeitos a qualquer intervenção para melhorar o seu estado nutricional.

O Público também cita o relatório, destacando a existência de “Menos rastreios diabéticos e mais lentidão a chamar o 112 em caso de AVC”.

De acordo com o jornal diário, um dos impactos da pandemia passou por um menor número de novos casos diagnosticados, a diminuição no rastreio da retinopatia diabética e a redução nas consultas do pé diabético.

Em 2020, foram diagnosticados mais 51.834 novos casos de diabetes, um número inferior aos registos anuais dos últimos anos, que têm ultrapassado os 60 mil novos casos.

Em 2020, foi realizado rastreio a 102.487 doentes, com uma redução de cerca de 55% face a 2019, o que reflete o impacto da pandemia covid-19, com a correspondente diminuição na taxa de rastreio populacional que se situou nos 14% em 2020 (33% em 2019)”, lê-se no relatório.

O rastreio da retinopatia diabética e a consulta do pé diabético são considerados como prioritários no programa nacional, na medida em que duas das principais consequências da doença são a cegueira e as amputações.

Ainda assim, registou-se uma decrescimento da avaliação do risco de pé diabético nos cuidados de saúde primários (CSP). O documento aponta que se realizaram “489.829 avaliações, correspondendo a 58,9% dos utentes com registo de diabetes, o que indica um decréscimo de 17% (menos 96.073 avaliações do pé nos CSP), comparativamente com o ano de 2019”.

O Público dá ainda destaque a outros impactos da pandemia nos cuidados de saúde, como é o caso dos constrangimentos na deteção da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

“Em 2020, devido às restrições pandémicas, as recomendações foram no sentido da suspensão de todas manobras geradoras de aerossóis, pelo que o recurso à espirometria esteve condicionado às situações prioritárias, com carácter urgente. Esta será, portanto, a justificação para a discreta redução no número de diagnósticos de DPOC nos utentes inscritos nos CSP, neste ano”, sustenta o relatório.

Também as consultas nos centros de saúde foram condicionadas pela crise pandémica. No ano passado foram referenciados 43.323 utentes e realizaram-se 59.912 consultas. Já em 2019, os registos apontavam para 67.383 utentes e 85.875 consultas.

O mesmo aconteceu com os transportes de doentes, que registaram uma “diminuição generalizada” face a 2019. O número de transporte de doentes caiu 43,7%, no número de utentes transportados sofreu um decréscimo de 30,57% e nos custos com esta área foram inferiores em 25,4%.

A Via Verde Coronária também se ressentiu: “Comparando o intervalo de tempo entre o início de sintomas e o pedido de socorro, verificou-se um aumento das situações em que o contacto com o CODU ultrapassou os 60 minutos (45% em 2019 contra 48% em 2020). Tal como verificado para a Via Verde do AVC, este aumento do tempo para ligar ao 112 poderá estar associado à situação pandémica e ao receio dos doentes (e familiares) em serem conduzidos a um hospital, mesmo perante sinais de alerta de um enfarte agudo do miocárdio”, assinala o relatório.

No sentido contrário, o centro de contacto do SNS (SNS24) atendeu um total de 4.022.968 chamadas, “representado um crescimento de 171% (+ 2.537.160 chamadas atendidas) face ao ano anterior”. “Realça-se ainda, que no último quadrimestre de 2020, o SNS 24 atendeu quatro vezes mais chamadas (2.265.583 chamadas) do que no mesmo período de 2019 (501.165 chamadas)”, descreve o documento.

Em 2020 estiveram internados nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas 2020 mais de 28 mil doentes infetados com covid-19.

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