Durante a iniciativa, que teve lugar na Avenida da Liberdade, foram apresentados vários casos de pessoas que já foram, ou estão a ser, despejadas, bem como de quem não consegue arranjar casa porque não tem possibilidade de fazer face aos preços praticados, seja no que concerne ao arrendamento como à compra de casa.
"Estamos aqui em protesto contra os despejos em Lisboa, mas não só. Também na Amadora, em Almada, no Porto e em muitos outros sítios", afirmou Rita Silva, da associação Habita, em declarações à agência Lusa.
De acordo com a ativista, a habitação tornou-se “uma mercadoria, um produto de investimento” e é preciso voltar a tomar controlo do destino da cidade.
“O destino da nossa cidade também é o destino da nossa vida”, frisou, avançando que a concentração deste sábado não foi “o final de uma série de ações em prol da habitação, mas sim o início de um processo”.
“Fim dos despejos e das demolições sem alternativa”
Do programa do festival HabitaACÇÃO, que terminou este domingo com esta concentração, constaram exposições, concertos, lançamento de filmes, ações de rua, performances artísticas e debates que visam “chamar a atenção, questionar, mobilizar e convidar a tomar a palavra sobre o que vemos e o que queremos para a cidade e para a habitação, que hoje se tornaram inacessíveis e excludentes para muita gente”.
No manifesto do festival é reivindicado o “fim dos despejos e das demolições sem alternativa”, a regulação das rendas, “políticas de habitação que diminuam as desigualdades sociais e impeçam a segregação étnico-racial”, bem como a existência de “um espaço público realmente público, cuidado e não mercantilizado, e o fim dos despejos dos espaços coletivos e do pequeno comércio.
Em causa está ainda uma mudança radical no modelo de governança e de desenvolvimento das cidades, com a diminuição efetiva do número de apartamentos turísticos, a expropriação dos monstros imobiliários como o Apollo, e o fim dos Vistos Gold e dos benefícios fiscais para os especuladores e para o luxo.
“A resposta tem de ser de coragem”
As deputadas bloquistas Maria Manuel Rola e Isabel Pires e a candidata por Lisboa Beatriz Dias estiveram presentes na concentração.
Alertando que “temos uma crise grave na habitação”, Maria Manuel Rola defende que, “para a combater, “temos de garantir habitação pública para responder a todas estas pessoas que se sentem expulsas e preteridas pelo turismo, pelo incentivo aos fundos imobiliários e pelo negócio que atropela as nossas vidas”.
“Temos um problema grave e a resposta tem de ser de coragem. Vamos a isso”, escreve a deputada na sua página de facebook.