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"A luta contra as desigualdades é agora", alerta Marisa em debate com Corbyn

Marisa Matias juntou-se a Jeremy Corbyn, Danièle Obono, David Miranda e Gyeke Tanoh num debate online com milhares de participantes, sobre os desafios pela justiça social e climática, o movimento #BlackLivesMatter e a resposta à crise pandémica.
Marisa Matias juntou-se a Jeremy Corbyn, Danièle Obono, David Miranda e Gyeke Tanoh num debate online
Marisa Matias juntou-se a Jeremy Corbyn, Danièle Obono, David Miranda e Gyeke Tanoh num debate online

Num painel que juntou representantes de movimentos sociais e partidos em vários países, Marisa Matias considerou que existem três dimensões na resposta à crise atual. Desde logo, a crise pandémica deixou a nu “os limites do capitalismo”, onde as populações mais afetadas são as mais desprotegidas, uma condição que se agrava em países sem sistemas públicos de saúde: “o mercado demonstrou ser incapaz de lidar com esta crise”.

Depois, o ressurgimento de movimentos de extrema-direita dentro e fora da União Europeia acompanha um “gigantesco passo atrás na democracia. Não apenas por causa do medo mas também devido a várias políticas agressivas que se aproveitaram da pandemia para impor políticas contra imigrantes e refugiados, populações indígenas e, agora, novas formas de controlo digital contra a democracia”. Formas de controlo que “limitam e reduzem o espaço público de debate”. O movimento #BlackLivesMatter tem “o espantoso mérito de abrir este espaço e trazer muitas pessoas para a luta pelos seus direitos e pela democracia. Este é um bom modelo para ver como podemos recuperar o espaço público e trazer as questões centrais para debate”.

“Enquanto aqui falamos, a União Europeia reforça o investimento na indústria militar e reduz as políticas sociais. A uma crise absolutamente nova, a UE responde sem qualquer novidade. A luta contra as desigualdades e pelos direitos dos trabalhadores é agora”, concluiu.

Por seu lado, o deputado federal do PSOL do Rio de Janeiro, David Miranda, considerou o movimento social se reestruturou com o #BLM. “O movimento está a crescer e a criar soluções para o futuro”. E criticou a política racista e xenófoba de Bolsonaro, que qualifica como “um desastre para o povo brasileiro, com mais de 1,5 milhões de casos confirmados e 70 mil mortes no país”. Para olhar e mudar o futuro, acrescentou, “temos de enfrentar os problemas da nossa sociedade e temos de olhar para a forma como o parlamento responde a estes problemas. Trump e Bolsonaro estão a destruir famílias com as suas políticas. Os trabalhadores têm de se unir para lutar por um mundo mais justo”.

Danièle Obono, deputada da France Insoumise, argumentou que “a pandemia mostrou o que teremos de enfrentar cada vez mais no futuro: crises ambientais que alimentam crises pandémicas. Os países desenvolvidos não conseguem responder eficazmente à crise sanitária devido a anos e anos de destruição dos serviços públicos”. E deixou críticas duras ao atual Presidente de França, Emmanuelle Macron: “Macron, que parece e soa diferente em comparação com Trump ou Bolsonaro, tem implementado e defende políticas neoliberais semelhantes. As forças de esquerda têm de lutar por causas concretas que criem maiorias sociais, como a justiça climática, reforma da polícia e transformação económica para combater as alterações climáticas”.

Para o ativista e investigador Gyeke Tanoh, a prioridade e foco que o #BLM apresenta é “a absoluta necessidade de resistência e da luta contra a opressão”, uma opressão que classifica como “global e que se expressa nas desigualdades sociais, no racismo institucional, na brutalidade political”, bem como nas desigualdades que a pandemia deixa a céu aberto: “ao mesmo tempo que Jeff Bezos acumula biliões, a pandemia afeta desproporcionalmente populações discriminadas e desumanizadas”. E isso é parte do sistema, esclarece: “a sistematização da opressão sobre populações negras, ou a violência sobre as mulheres, é estrutural na economia capitalista global”, porque “uma forma de opressão legitima várias outras formas de opressão”. E esse é o mérito do BLM, o de “expor as ligações estruturais entre todas as formas de opressão”.  

Jeremy Corbyn encerrou o painel definindo a atual crise pandémica como um momento histórico para movimentos progressistas em todo o mundo: “O apoio ao movimento BLM é global, pela justiça, contra o racismo. E o que este movimento demonstrou é a necessidade de mudar a forma como entendemos o nosso passado e história”, disse. Por seu lado, o desafio da justiça climática é “melhorar a vida das populações de forma sustentável. O conceito de revolução industrial verde não é compatível com uma revolução digital que concentrou riqueza a níveis nunca antes vistos. A próxima revolução tem de ser verde, onde criamos emprego através da geração verde de energia, onde diversificamos a produção alimentar”.

E deixou o alerta: “Não podemos apenas confirmar os objetivos dos acordos de Paris de 2015. Isso não chega. Temos de desenvolver energia sustentável”.

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