As seguradoras que operam em Portugal registaram lucros de 320 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2022. Os dados são do último Relatório trimestral de evolução da atividade seguradora, divulgado pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) e que avalia a evolução dos principais indicadores económicos deste setor.
Os lucros das seguradoras aumentaram face aos registados no mesmo período do ano anterior (€315 milhões) e bastante acima do de 2020 (€199 milhões). Embora este aumento pudesse ser atribuído ao facto de, no ano passado, o país ter passado por uma fase em que as medidas de confinamento aplicadas reduziram o ritmo da atividade económica, a verdade é que os resultados são também mais favoráveis do que os alcançados em todo o ano de 2019, antes da pandemia, quando as seguradoras registaram lucros de €302 milhões.
Embora o relatório da ASF aponte para uma diminuição da produção de seguros neste exercício, também dá conta de que houve uma descida significativa dos custos com acidentes que significariam desembolsos para as seguradoras. “Os custos com sinistros verificaram uma diminuição de 20,4%”, de acordo com o relatório citado pelo jornal Expresso.
O setor dos seguros tem atravessado um período de prosperidade. Já no ano passado, os lucros das 38 seguradoras supervisionadas pela ASF tinham aumentado 44% para 649 milhões de euros, com a produção de seguros a crescer acima dos custos com sinistros. Em 2021, a produção de seguros relativa à atividade em Portugal teve um crescimento de 34,2% face a 2020, ao passo que os custos com sinistros subiram apenas 9,1%.
Apesar do aumento dos lucros, as seguradoras planeiam aumentar o preço dos seguros ao longo deste ano. O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), José Galamba de Oliveira, avisou que os seguros irão aumentar, queixando-se da “pressão brutal” que a inflação está a colocar às empresas do setor. “Infelizmente estão muitas coisas a condicionar para [um aumento do preço dos seguros], desde logo a inflação, e, portanto, pensamos que provavelmente o sector não vai estar imune”, disse Galamba de Oliveira. O presidente da ASP considera que o setor terá de aumentar os prémios dos seguros “para acomodar esta inflação”.