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Londres: Dezenas de milhares protestam contra a austeridade

150.000 pessoas, segundo The Independent, manifestaram-se neste sábado nas ruas de Londres, reivindicando saúde, casas, trabalho e educação, protestando contra as políticas de austeridade e pedindo a demissão de Cameron.

A manifestação organizada pela People’s Assembly teve o apoio de vários grupos de ativistas e sindicatos e exigiu a melhoria das condições da saúde, habitação e emprego e do fim dos cortes no sistema nacional de saúde, o controlo dos custos de habitação bem como a proteção do programa de habitação social.

A manifestação contou com a presença de membros do Partido Trabalhista e também de vários sindicalistas que reivindicaram um salário mínimo nacional, o fim das propinas e também da privatização do ensino

"A luta contra a austeridade é um combate dos nossos dias", afirmou Diane Abbott, uma dirigente do Partido Trabalhista.

“É a austeridade que ameaça o Serviço Nacional de Saúde. É a austeridade que impede as autoridades locais de construírem alojamentos. É a austeridade que obriga os desempregados a aceitar contratos precários, sem horários definidos nem duração mínima do trabalho. É a austeridade que ameaça o futuro dos jovens”, sublinhou a dirigente trabalhista.

" A austeridade é uma escolha política"

Por seu turno, o membro do movimento pacifista “Stop the War Coalition”, Chris Nineham, disse que “a austeridade não é uma necessidade económica, mas uma escolha política”.

“Não é apenas de David Cameron que é preciso livrarmo-nos, mas de todo o seu corrupto governo conservador”, acrescentou.

“Os conservadores aumentam os impostos, mas uns pagam mais impostos do que outros, e não são os mais ricos”, criticou por sua vez Gary Manning, um engenheiro de 42 anos, que usava uma máscara, simbolizando aqueles que “mais engordam” na sociedade.

Empunhando cartazes onde se podia ler “Ele deve sair”, numa alusão a David Cameron, os manifestantes protestaram contra os cortes nos apoios sociais e, de forma mais global, contra a política de austeridade seguida pelos conservadores desde 2010.

Entre os manifestantes houve quem não hesitasse em  questionar o primeiro-ministro sobre as recentes revelações relacionadas com as suas ligações a uma sociedade offshore, no âmbito do escândalo conhecido como Panama Papers.

“Acho que demorou demasiado tempo, levou cinco dias a reconhecer o seu envolvimento nesse caso. Isso não é brilhante, e acho que qualquer pessoa na sua posição tem um dever de transparência”, disse Sarah Henney, presente na manifestação.

O descontentamento das populações em relação às políticas de austeridade tem vindo a subir de tom nos últimos tempos

Desta forma, na passada semana uma manifestação espontânea juntou cerca de mil pessoas em Downing Street exigindo a demissão do primeiro-ministro britânico e o movimento de oposição à austeridade no Reino Unido já conseguiu reunir milhares de pessoas em outubro, em Manchester e em junho, em Londres, pouco tempo depois das legislativas que reelegeram o atual primeiro-ministro.

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