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Livro do poeta que foi “gauche na vida” editado pela primeira vez em Portugal

Durante a II Guerra Mundial, Carlos Drummond de Andrade escreveu mais de 50 poemas que incluiu no livro “A rosa do povo” que será editado pela primeira vez em Portugal a 15 de fevereiro.
Carlos Drummond de Andrade foi um dos mais importantes poetas de língua portuguesa do século XX. Foto Revista Bula
Carlos Drummond de Andrade foi um dos mais importantes poetas de língua portuguesa do século XX. Foto Revista Bula

O poeta que um dia escreveu : “Quando nasci, um anjo torto/desses que vivem na sombra/disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida”, tem um livo que foi escrito durante o período da 2ª Guerra Mundial  com um conjunto de poemas cujo universo anda à volta das guerras, dos afetos do seu passado familiar e também dos tempos sombrios que então se viviam.

De acordo com a Editora Companhia das Letras - responsável pela edição do livro em Portugal - “A rosa do povo” revela o “olhar do poeta brasileiro mais importante de sempre sobre um momento de transformação profunda”, constituindo ao mesmo tempo sua obra mais extensa.

O livro, refere a editora, é uma das primeiras obras do poeta brasileiro, e é considerado o seu "trabalho de maior expressão de lirismo social e modernista, uma vez que estabeleceu a figura do poeta mineiro no panorama da melhor poesia de língua portuguesa no século XX".

Livro “politicamente explícito”

Ao mesmo tempo, “A rosa do povo”, que foi publicado em 1945, “é o livro politicamente mais explícito de Carlos Drummond de Andrade lançando um poderoso olhar sobre a Segunda Guerra, a cisão ideológica, a vida nas cidades, o amor e a morte.

o poeta presta homenagem a uma Europa destroçada pela guerra e aos milhões de civis que nela morreram, e ao mesmo tempo, faz uma reflexão sobre a  condição humana, atormentada por afetos e medos, permanências e mudanças

Drummond de Andrade observa tudo isto a partir do Rio de Janeiro,  a capital brasileira na altura, que era uma cidade marcada pelo cosmopolitismo, local privilegiado de poetas, o que levou muitos críticos a comparar a visão de cidade expressa pelo autor à do poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), considerado o primeiro grande cantor da experiência urbana.

Desta forma, partir desse Rio de Janeiro que se urbanizava de uma forma frenética, de costas viradas para o passado, o poeta presta homenagem a uma Europa destroçada pela guerra e aos milhões de civis que nela morreram, e ao mesmo tempo, faz uma reflexão sobre a condição humana, atormentada por afetos e medos, permanências e mudanças.

A editora sublinha ainda que “A rosa do povo” é “do ponto de vista formal, uma das obras mais expressivas do movimento modernista brasileiro, em que o poeta brasileiro experimenta o verso alongado, ao estilo do poeta norte-americano Walt Whitman”, acrescentando que “[Drummond] faz um exercício em que ironiza o passado literário brasileiro e exercita as mais diversas formas e dicções, nos 55 poemas reunidos no volume”.

Considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa do século XX, Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902 em Itabira, no Estado de Minas Gerais e estreou-se na literatura em 1930 com a publicação de “Alguma poesia”. Morreu em 1987 no Rio de Janeiro.

 

 

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