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Lisboa tem o maior rácio de casas no Airbnb por habitante

Um relatório da agência Moody’s coloca Lisboa no topo das capitais europeias com maior fatia da habitação destinada a arrendar a turistas. Bloco volta a apelar a Medina para suspender novos registos.
Casas em Lisboa
Foto Paulete Matos.

No seu relatório sobre o mercado da habitação europeu, a agência de rating Moody’s dá conta de um fenómeno que se acentua nas capitais europeias desde 2012: a inflação do preço das casa ultrapassou o aumento do rendimento dos seus habitantes.

A agência coloca Lisboa no topo das cidades onde é maior o rácio de casas para alugar a turistas no Airbnb, com um valor superior a 30 habitações por mil habitantes. A capital portuguesa tem visto nos últimos anos o arrendamento para turistas puxar para cima o preço das rendas e expulsar habitantes para fora do centro da cidade. Segundo números do INE, a população da cidade de Lisboa caiu 7% desde 2011.

O combate à proliferação do alojamento local foi desde sempre uma das bandeiras do Bloco de Esquerda em Lisboa, mas a maioria socialista da Câmara tem recusado as propostas para suspender a atribuição de novas licenças para transformar casas de habitação permanente em alojamento para turistas, aceitando apenas suspender em certas freguesias dos bairros históricos, já saturadas pela proliferação do alojamento local.

O vereador bloquista Manuel Grilo voltou esta quinta-feira a insistir no apelo a Fernando Medina “para suspender com urgência novos registos em toda a cidade”.

“Reiteramos o apelo para que se imponha limites que garantam que os nossos bairros continuem a existir. Reiteramos o apelo ao bom senso, para garantir o direito à habitação para quem cá quer viver”, afirmou Manuel Grilo.

Usando o exemplo de três capitais onde o custo da habitação é maior — Paris, Amesterdão e Londres — a agência diz que um habitante dessas cidades gastará 18 anos do seu rendimento para adquirir uma casa com um valor na média praticada pelo mercado. No conjunto das principais cidades, em 2018 os compradores gastariam em média 15 anos do seu rendimento, quando no período entre 2005 e 2007 a compra da casa implicava em média gastar o rendimento de 12 anos de trabalho.

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