Lisboa: Grandes hospitais perdem cem camas num ano

06 de April 2019 - 13:04

Bloco quis fazer uma radiografia da situação na última década em termos de camas de internamento, tendo pedido dados a mais de duas dezenas de unidades. Conclui-se pela perda generalizada de camas. Segundo Moisés Ferreira, “isto obriga-as a recorrer à contratação privada; só em 2018, resultou numa despesa de cerca de quatro milhões de euros”.

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Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

Embora há um ano a tutela tivesse querido aumentar a lotação dos hospitais de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) para mais 300 camas, aconteceu o contrário, sob a justificação de que há obras de beneficiação que “implicam uma redução temporária de lotações”.

Numa década, os três grandes centros hospitalares de Lisboa perderam 751 camas de internamento. Verifica-se há vários anos a redução da lotação. Apesar de uma pequena inversão entre 2015 e 2017, volta a acontecer o mesmo, e isto mesmo depois de o Ministério da Saúde ter determinado que os hospitais de LVT criassem quase mais 300 camas.

O Bloco de Esquerda quis fazer uma radiografia da situação na última década, razão pela qual pediu dados a mais de duas dezenas de unidades. Estes relevam que na região de LVT aconteceu o contrário do pretendido pela tutela, sobretudo nos três centros hospitalares da capital (Lisboa Norte, Central e Ocidental), que perderam 96 camas de 2017 para 2018.

A justificação para a redução da lotação nos hospitais públicos tem sido o gradual aumento das cirurgias em ambulatório, que não implicam internamento, e com o crescimento dos lugares disponíveis na rede de cuidados continuados. Contudo, na portaria assinada em 20 de Março de 2018 pela então secretária de Estado da Saúde, Rosa Matos, que delineou a “reestruturação da rede de cuidados de saúde” em LVT, preconizou-se um aumento das 7871 camas para 8149, entre o final de 2017 e o terceiro trimestre de 2018.

Os dados conhecidos na sequência do pedido do Bloco (enviados por 21 das 37 unidades do país) mostram que, nos maiores centros hospitalares de LVT, assim como do Centro e do Alentejo, a redução da lotação continuou. Há exceções, como o caso do hospital Amadora-Sintra (em 2018, tinha mais 21 camadas do que em 2017) e do Garcia de Orta (mais 28).

A quebra no SNS contrasta com o aumento no privado (mais 1700 camas). Ao mesmo tempo reflete-se num acréscimo do recurso ao segundo. “Há uma perda generalizada de camas. Em algumas instituições, isto obriga-as a recorrer à contratação privada. Só em 2018, resultou numa despesa de cerca de quatro milhões de euros”, afirmou o deputado do Bloco Moisés Ferreira ao Esquerda.net.

Após o pedido do Bloco, falta ainda que venham a público os dados referentes aos hospitais da zona Norte e do Algarve. Assim, é expectável que esta fatura de 4 milhões seja consideravelmente maior.