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Lisboa: “A escolha é simples: votar no Bloco ou uma maioria absoluta do PS”

No comício de campanha, Beatriz Gomes Dias afirmou que a direita mostrou não ser alternativa na cidade e que as pessoas sabem “a diferença que é ter um vereador do Bloco e como isso transformou a maneira de fazer política na cidade”.
Beatriz Gomes Dias
Beatriz Gomes Dias no comício de quinta-feira no Capitólio. Fotos de Ana Mendes

Na reta final da campanha autárquica, Beatriz Gomes Dias voltou a trazer “o empenho, a determinação, a energia e o entusiasmo” que têm sido a sua força motriz “para as lutas tão necessárias”.

A cabeça de lista do Bloco à Câmara de Lisboa elencou essas lutas no comício de quinta-feira à noite no Capitólio: “Por casas a preços que as pessoas possam pagar, pela reabilitação e requalificação dos bairros municipais”; “por centros de saúde para as populações e por respostas e apoios para a população sénior”; “por menos carros e mais e melhores transportes públicos"; “por mais cultura em todas as freguesias"; “por uma cidade livre de discriminação, uma cidade que acolhe e valoriza a sua diversidade, não como um postal turístico, mas como um lugar de direitos e de igualdade”.

A candidata lembrou os milhares de pessoas contactadas ao longo dos últimos meses, “gente que conhece Lisboa e que quer ajudar a resolver os seus problemas” e partilhou em particular algumas das histórias que o partido acompanhou. A partir dessas experiências e “partindo do legado” acumulado pelo trabalho na Câmara, dos “problemas de que as pessoas nos falavam nas ruas e das assembleias participativas com bloquistas, ativistas do movimento social, representantes das comunidades e independentes” foi possível construir “um programa alternativo à governação socialista na cidade de Lisboa”.

Beatriz Dias considera que este programa indica os caminhos da alternativa que a direita mostrou não ser. “Não sabem como resolver o problema da crise na habitação, que ajudaram a criar, e por isso dizem que o mercado irá tratar disso sozinho. Não sabem como resolver o problema da mobilidade e por isso apostam no automóvel. Ignoram a crise climática e dizem que as bicicletas é que são o problema. Não sabem como tornar Lisboa menos desigual, porque todas as suas propostas são para os mais ricos. A direita está à deriva e sem propostas nestas eleições”.

Daqui conclui que “no próximo domingo, a escolha é simples: é entre votar no Bloco de Esquerda ou uma maioria absoluta do PS em Lisboa”. E para desempatar esta escolha apresenta como argumento “a diferença que é ter um vereador do Bloco e como isso transformou a maneira de fazer política na cidade”. Uma diferença que se sente nas escolas, no apoio social, na resposta às pessoas em situação de sem abrigo, nos transportes públicos que o partido quer “gratuitos, fiáveis e confortáveis” para serem “alternativa ao automóvel que envenena o ar e destrói o clima”. Em véspera de mais uma greve climática, a candidata bloquista afiança que “o Bloco leva a sério a emergência climática”.

O Bloco sublinha ainda que “foi o único partido a opor-se às Parcerias Público-Privadas da habitação do PS” e que “não vai aceitar que o PS entregue 1.800 casas construídas em terrenos públicos, que valem milhões, à especulação imobiliária”. Por isso, a escolha do próximo dia 26 é também entre “lutar por um programa 100% público com casas que as pessoas podem pagar ou um programa que entrega 1.800 casas aos promotores privados para que arrendem ao preço que quiserem”.

O partido também tem marcado posição na luta “por justiça social e pela igualdade plena” porque “os múltiplos fatores de discriminação agravam as desigualdades e a exclusão social”. Esta candidatura afirma-se feminista e antirracista, defende os direitos das pessoas com deficiência, as comunidades LGBTQI+, as pessoas migrantes e refugiadas. Beatriz afirmou que também se candidata para “mudar radicalmente o paradigma das políticas públicas e promover a implementação de medidas estruturais que garantam a emancipação das pessoas alvo de múltiplas discriminações”.

Para terminar, Beatriz Gomes Dias insistiu que o Bloco está disponível “para entendimentos que garantam igualdade, que garantam transportes públicos, que garantam casas que as pessoas possam pagar. Estamos disponíveis para um acordo claro, transparente, com metas inequívocas para que todas as pessoas possam conhecer e avaliar o trabalho que fazemos” porque o Bloco assume responsabilidades mas não passa “cheques em branco”.

"Quem sempre fez igual não vai fazer diferente"

Por sua vez, Mariana Mortágua centrou-se na questão da habitação e trouxe a arma da ironia. Isto devido a várias declarações de Fernando Medina que disse pretender suspender novos licenciamentos de Alojamento Local “porque percebeu, imaginem só, que há um problema de casas em Lisboa” e porque também “descobriu, vejam bem, que os bairros onde o turismo não é monocultura sobreviveram melhor à pandemia”. “A clarividência do Presidente está ao rubro”, disparou.

Estas “verdadeiras iluminações” do PS chegaram “com a aproximação da campanha eleitoral” mas fazem tábua rasa do que se passou nos últimos anos. A deputada lembrou a chegada do programa de austeridade da Troika “assinado por PS e PSD” cujo objetivo de desvalorização interna “era deprimir a economia, baixar os preços – os salários – através do desemprego e da emigração, para atrair capital estrangeiro e assim corrigir os desequilíbrios”.

E isto repercutiu-se no mercado da habitação. “A austeridade baixou os preços, a lei das rendas expulsou as pessoas, e ao mesmo tempo era montada uma campanha espantosa para atrair compradores estrangeiros: criou-se o regime dos Vistos Gold, promoveu-se a medida dos benefícios fiscais a não residentes, acolheu-se o Alojamento Local, vendeu-se património municipal, licenciaram-se Hotéis, criaram-se novas regras para os fundos de investimento que, ao contrário do país, não estavam pobres”, lembrou Mariana Mortágua.

Mariana Mortágua recuou até esta época para afirmar que a especulação imobiliária “não foi uma fatalidade, foi um projeto político da direita, que os executivos do PS aqui em Lisboa promoveram desde o primeiro momento, incluindo o executivo de António Costa”.

Depois, em 2015, “o PS recusou-se a tocar na especulação. Pelo contrário, insistiu no erro”, continuando com os vistos gold “apesar das evidências de corrupção" e o regime fiscal para não residentes que "continuou a isentar de imposto os pensionistas ricos de outros países". A isso juntaram-se "mais hotéis e mais Alojamentos locais”.

A dirigente bloquista lembrou que Medina dizia então “que Portugal estava no bom caminho” e, em 2017, “quando habitar lisboa já era um luxo”, afirmava que “eu não sei o que turistas a mais”. Para Mariana Mortáua, “turismo a mais é o preço das casas aumentar 30% apenas devido ao AL; turismo a mais é Lisboa ter o dobro dos turistas por residente de Barcelona e dedicar-lhes mais casas em número absoluto do que em Barcelona; turismo a mais é dar de caras com um hotel porta sim porta não, enquanto famílias abandonam o concelho, ou mesmo o distrito para encontrar uma casa a um preço que possam pagar. Do ponto de vista meramente simbólico, diria até que turismo a mais é colocar a residência oficial do Presidente da Câmara de Lisboa num site de alojamento para turistas”.

O que justifica a adesão de Medina a este projeto de cidade e a sua oposição ao fim dos vistos gold em Lisboa? A deputada bloquista responde que “não foi a ideologia do FMI, até porque essa faliu há muito tempo. Foi algo muito mais simples: o desejo de sucesso fácil. As receitas de IMI e IMT dispararam, não importa a que preço; foram criados novos trabalhos, não importa com que qualidade; Lisboa ficou na moda. Medina pode abrir a Websummit. E tudo sem o trabalho de ter de pensar num modelo de desenvolvimento sustentável para a cidade de Lisboa”.

Recordou-se ainda que foi Medina quem “plantou um terminal de cruzeiros na zona ribeirinha” e “trabalhou para promover o turismo de massas” mas “diz agora ser uma prioridade combater as alterações climáticas” e quem “assistiu sentado enquanto as pessoas mais pobres, mais precárias, eram expulsas da cidade” e agora manifesta-se “preocupado com a exclusão social”. Por isso, “quem sempre fez igual não vai fazer diferente. A não ser que a isso seja obrigado” e a diferença será o voto no Bloco, concluiu.

“As únicas medidas que a Câmara Municipal de Lisboa tomou nestes últimos cinco anos para combater a especulação, por exemplo com a criação das zonas de restrição ao alojamento local, ou a disponibilização de casas públicas a preços controlados foram impostas pelo Bloco ao PS em 2017”, recordou Mariana Mortágua. No próximo mandato, o Bloco quer “ir mais longe”. Das suas propostas fazem parte dez mil casas públicas “para quem precisa”, redução do Alojamento Local em um quarto e 25% de toda a nova construção ou reabilitação em renda apoiadas. Porque “Lisboa não está condenada a ser um privilégio para uns e condição de exclusão para todos os outros, pode ser uma cidade comum”.

"Não podemos pensar uma cidade ao serviço do automóvel, precisamos de pensar em como colocar a cidade e os transportes ao serviço das populações"

A cabeça de lista à Assembleia Municipal de Lisboa, Isabel Pires, trouxe a este comício o tema dos transportes públicos. Um tema “central porque continuamos a ter que responder perante a crise climática que afeta tanto as nossas vidas” e “porque queremos mesmo uma cidade onde nos possamos movimentar de forma segura, gratuita, acessível e ambientalmente justa”.

No dia a seguir ao “dia europeu sem carros”, a deputada critica: “quem andou pela cidade não deu por este dia”. Em Lisboa “circulam cerca de 570 mil carros por dia e cada condutora perde 160 horas no trânsito por ano”, “temos vias congestionadas, ruas onde o carro é rei e o transporte público fica em segundo plano, falta de segurança para peões e falta de opções para quem utiliza meios suaves de transporte”.

O Bloco pensa que é possível outro caminho e que a “redução histórica dos passes” teve um impacto “muito óbvio”, aumentando o número de pessoas a utilizar o transporte público e assim reduzindo as emissões de CO2. E lembra que, apesar das suas promessas, Carlos Moedas foi ministro de um governo do PSD/CDS “que fez o maior aumento de preço de passes e tinham todas as privatizações preparadas na área dos transportes”. Este “histórico da direita” faz saber que “daí nunca virão melhorias reais na mobilidade” porque "não acreditam em cidades de e para pessoas, cidades onde em comunidade possamos usufruir do espaço público” nem “em cidades onde o transporte pode ser público, chega a todos e todas e tem qualidade”.

As críticas da deputada estenderam-se também ao PS que “tem o hábito de ficar aquém do que é necessário fazer”. Disso é exemplo a “teimosia com a linha circular” e o “adiamento de soluções de redução de circulação de carros no centro da cidade”.

O partido defende ainda “uma Carris pública, com mais e melhores autocarros, mais motoristas e mais carreiras”, com o programa “Carris em cinco minutos” que “pretende que as populações possam ter previsibilidade e reforçar a confiança das pessoas” nos transportes públicos. Quer-se ainda expandir a rede de metro, avançar faseadamente para a gratuidade nos transportes públicos e “avançar já” para as Zonas de Emissão Reduzida “das quais o PS parece ter desistido”.

Isabel Pires resume: “não podemos pensar uma cidade ao serviço do automóvel, mas precisamos de pensar em como colocar a cidade e os transportes ao serviço das populações, de forma eficiente”.

Vamos à luta por uma cidade em comum!”

Este comício foi aberto por Ricardo Moreira. O dirigente concelhio do Bloco e candidato à vereação fez o balanço de “uma campanha feita nas ruas, olhos nos olhos, com todas as pessoas” que foi “difícil porque ainda estamos sob o signo da pandemia”, mas na qual “o Bloco não teve dúvidas, não trocou likes por ações de rua, não trocou lives por estar com ao vivo com milhares de pessoas, por saber dos seus problemas”.

O autarca realçou assim a clareza no programa, nomeadamente nas propostas de “habitação acessível, transportes públicos gratuitos e de qualidade, defesa do clima, igualdade plena”. E também na candidatura, porque “a Beatriz representa-nos totalmente, representa totalmente a Lisboa que queremos, faz-nos avançar no sentido do feminismo, do anti racismo, da luta contra todas as opressões”.

 

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