Liga do LOL: machismo nas sofisticadas redações parisienses

12 de February 2019 - 20:33

São cerca de três dezenas de homens. Pertencem à elite jornalística francesa. Faziam parte de um grupo secreto no facebook que depois atacava sobretudo no twitter. Dedicavam-se a assédio online e à produção de insultos sexistas, racistas, homófobos. Durou vários anos.

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Foto de Luc Legay/Flickr

O caso está a abalar a elite cultural francesa que se considera “bem pensante” desde o final da semana passada. Revelado pelo Libération, tornou-se rapidamente um escândalo. Huffington Post, Télérama, Slate, Vice, lnrocks, Libération, entre outros. Jornais e revistas de referência que seriam à partida insuspeitos, ficaram manchados na sua imagem quando se tornou pública a existência deste grupo.

Os acusados começaram por se defender dizendo que era apenas um grupo de amigos que fazia piadas. Até porque as mensagens mais ofensivas se tinham perdido no tempo ou tinham sido apagadas. Mas as vítimas insistiram e os testemunhos multiplicam-se.

Resultaram em despedimentos, investigações internas, pedidos públicos de desculpas. Alexandre Hervaud, chefe do serviço online do Libération, e Vincent Glad, jornalista do mesmo jornal, David Doucet e François-Luc Doyez, redatores do Inrocks, Vincent Glad da revista Brain são alguns dos jornalistas despedidos ou suspensos entretanto. Vice e Huffington anunciaram também que iriam seguir o mesmo caminho.

As militantes feministas estavam na linha da frente dos alvos que escolhiam. Sobretudo entre 2009 e 2012 uma dezena de pessoas diz que as suas vidas foram intoxicadas, que se sentiam aterrorizadas, por vários perfis, uns poderosos e com muitos seguidores, outros falsos. Imagens manipuladas, falsos convites profissionais, boatos, insultos sexistas, homófobos e racistas, mails anónimos insistentes, usurpações de identidade. Humilhar e diminuir as pessoas era o objetivo assumido.