Líderes gregos e franceses são “gananciosos e incompetentes”, diz Erdogan

31 de August 2020 - 15:00

A tensão entre a Turquia e a Grécia pela exploração de gás natural no Mediterrâneo Oriental continua a escalar, com Ancara a perguntar se o povo grego e francês aceita “o que lhes pode acontecer”.

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Na origem da disputa entre a Turquia e a Grécia está a prospeção de hidrocarbonetos no Mediterrâneo Oriental.
Na origem da disputa entre a Turquia e a Grécia está a prospeção de hidrocarbonetos no Mediterrâneo Oriental. Fotografia de Turkish President Press Office Handout/EPA/Lusa.

Recep Erdogan, presidente da Turquia, não parece estar disposto a ceder no conflito pela exploração de gás natural na zona do Mediterrâneo Oriental. Desta vez acusou os líderes de França e da Grécia de serem “gananciosos e incompetentes”. 

“O povo grego aceita o que lhes pode acontecer por causa dos seus líderes gananciosos e incompetentes?”, questionou Erdogan durante uma cerimónia de entrega de diplomas a oficiais, em Ancara. “Os franceses sabem o preço que terão de pagar por causa dos seus líderes gananciosos e incompetentes?”, acrescentou, em citação da agência Lusa. 

O ataque à Grécia ganhou outro simbolismo uma vez que foi feito no dia em que se celebrava a vitória de Ataturk contra o exército grego na Guerra da Independência da Turquia no ano de 1922. 

“Quando se trata de combater, não hesitamos em dar mártires. A questão é: aqueles que se rebelaram contra nós no Mediterrâneo e [Médio Oriente] estão prontos para os mesmos sacrifícios?”, ameaçou Erdogan.

A tensão teve início a 10 de agosto quando Ancara enviou o Oruc Reis, um navio de prospeção de petróleo e gás, para águas que Atenas reivindica como suas. A disputa não se relaciona somente com a definição de fronteiras, mas sobretudo com a busca de hidrocarbonetos naquela zona do Mediterrâneo.

A assinatura de um acordo entre Atenas e o Cairo que delimita as zonas económicas exclusivas entre os dois países acabou por atirar mais lenha para a fogueira, pois a Turquia já afirmou que não reconhece semelhante acordo.

Há três semanas que se prolongam as manobras navais no Mediterrâneo Oriental, com a Grécia a realizar exercícios militares a sul da ilha grega de Creta, com o apoio da França, Itália e Chipre. 

Ancara, que se mostra inflexível perante as ameaças de sanções europeias, anunciou também no sábado novas manobras militares no norte da ilha do Chipre, informa a Lusa.

França foi incluída nas declarações de Erdogan não só pela participação nos exercícios militares gregos, mas também por ter denunciado publicamente o “comportamento de escalada” dos gregos.

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