You are here

Líderes do G7 admitem controlo de preços que a Alemanha criticava há pouco tempo

Ainda há poucos meses, a propósito do mercado ibérico da energia, a Alemanha recusava a intervenção dos poderes públicos na definição dos preços.
Líderes do G7 reunidos na Alemanha. Foto Andrew Parsons / No 10 Downing Street / Flickr

Os líderes dos países do G7, grupo que reúne as sete economias mais industrializadas do mundo - EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Canadá e Japão - reuniram-se numa cimeira realizada nos Alpes bávaros para discutir o ponto de situação da guerra na Ucrânia. Além de questões referentes ao apoio à Ucrânia face à invasão russa, os líderes discutem os impactos da guerra e das sanções aplicadas e os próximos passos dos países Ocidentais.

A julgar pelo que tem sido avançado na imprensa internacional, uma das medidas em cima da mesa é a imposição de “tetos” nos preços do petróleo proveniente da Rússia, de forma a travar o enorme aumento dos preços que se tem registado nos últimos meses. No início da cimeira, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, citado pelo jornal Expresso, disse que “colocar um teto ao preço dos combustíveis fósseis importados à Rússia tem um objetivo geopolítico mas também económico e social”.

O esboço do documento que está a ser preparado na cimeira, a que o Financial Times teve acesso, dá conta de que os países explorarão a “viabilidade” de um mecanismo para impor preços máximos ao petróleo russo a nível global. O objetivo passaria, por um lado, por reduzir o elevado custo que os restantes países têm pago pelos combustíveis fósseis russos e, por outro, por infligir mais um dano à economia russa.

Embora os pormenores sobre o funcionamento deste mecanismo ainda não sejam conhecidos, o anúncio já é surpreendente, sobretudo se tivermos em conta a posição tomada por alguns destes líderes há não muito tempo. Em março, quando Portugal e Espanha apresentaram uma proposta para limitar os preços da eletricidade no mercado ibérico, a iniciativa gerou tensão no Conselho Europeu e motivou a contestação de vários países, com destaque para a... Alemanha.

Nessa altura, os relatos da imprensa internacional (nomeadamente, do El País e da France24) davam conta de que a Alemanha se teria oposto de forma “feroz” à iniciativa conjunta de Portugal e Espanha, recusando a intervenção dos poderes públicos na definição dos preços da energia.

Certo é que os países do G7 parecem agora dispostos a aplicar controlos de preços ao petróleo russo, face à escalada da inflação. A Itália parece querer estender este mecanismo ao gás natural, o que se pode explicar pela dependência que o país tem das importações de combustíveis fósseis russos. Nos próximos dias, os detalhes da proposta deverão ser divulgados.

Termos relacionados Internacional
(...)