Líder sindical detido em nova vaga repressiva na Bielorrússia

21 de April 2022 - 15:04

Pelo menos 16 pessoas, entre sindicalistas e jornalistas, foram presos pelo KGB bielorrusso. Entre eles está o líder do Congresso dos Sindicatos Democráticos da Bielorrússia que tornou pública a oposição ao envolvimento do seu país na guerra contra a Ucrânia.

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Alexandre Yarashuk no Congresso da CES em 2018. Foto HorstWagner.eu/CES ©

Alexandre Yarashuk está entre os detidos na mais recente vaga repressiva promovida pelo regime bielorrusso. O presidente do Congresso dos Sindicatos Democráticos da Bielorrússia (BKDP) tinha divulgado no final de março uma declaração contra a participação do seu país na invasão russa da Ucrânia.

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Viasna, citada pela Reuters, pelo menos 16 pessoas foram detidas em Minsk, Grodno, Borisov e outras cidades. Horas antes da operação policial, o governo de Lukashenko declarou alguns sindicatos como "organizações extremistas". Segundo a Associação Bielorrussa de Jornalistas, uma das detidas na quarta-feira foi Aksana Kolb, a editora do jornal Novy Chas.

Em França, a central sindical CGT exigiu a libertação imediata de Alexandre Yarashuk e diz que houve dezenas de outros sindicalistas presos pelo KGB bielorrusso nas rusgas da noite de terça para quarta-feira. A CGT sublinha o papel do BKDP na luta pelas liberdades sindicais e o direito à greve e também na contestação ao Governo durante os protestos que se seguiram à nova fraude eleitoral das presidenciais de 2020, quando Yarashuk coordenava os comités de greve. O sindicalista bielorrusso participou também no 50º Congresso da CGT e teve um papel ativo no Fórum organizado pela central sindical no ano passado sobre transição ecológica e social, acrescenta a CGT.

O mesmo apelo foi reiterado pela Confederação Europeia de Sindicatos (CES), organização que junta dezenas de centrais sindicais, incluindo as portuguesas CGTP e UGT. A Confederação fala em pelo menos 14 detidos entre as lideranças do movimento sindical indepedente bielorrusso. Além de Yarashuk, também o vice-presidente Siarhei Antusevich e os líderes do Sindicato Livre dos Metalúrgicos e do Sindicato Livre da Bielorrússia foram presos. Há ainda vários sindicaistas e advogados dos sindicatos que estão incontactáveis. Pelo menos quatro sedes sindicais foram alvo de buscas.

A CES apela à libertação imediata dos detidos e à intervenção da OIT e da União Europeia nesse sentido. "Estas detenções são o mais recente episódio numa história de ataques aos sindicatos na Bielorrússia e parecem ser um castigo pelas críticas ao Presidente Lukashenko por facilitar o ataque militar de Putin à Ucrânia", afirmou Luca Visentini. O secretário-geral da CES acrescenta que a confederação sindical "apela ao fim da guerra na Ucrânia e ao fim da ditadura e dos ataques a sindicatos na Bielorrússia".