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Líbia: Haftar recusa cessar fogo em Tripoli

Tripoli está desde abril sob ataque das forças que controlam o leste do país, lideradas por Khalifa Haftar, que pretendem derrubar o governo sediado na capital. Há já 75 mil deslocados e mais de 500 mortos. Haftar recusou apelos para um cessar fogo e acusa a ONU de querer partir o país.
Khalifa Haftar, numa foto de 2011. Foto de Magharebia/Flickr.
Khalifa Haftar, numa foto de 2011. Foto de Magharebia/Flickr.

Khalifa Haftar, comandante do Exército Nacional Líbio que controla a zona leste do país, recusou a hipótese de um cessar-fogo na ofensiva que lançou para tomar Tripoli e acusou a ONU de fomentar a partição da Líbia. As declarações surgem numa entrevista ao órgão francês Journal du Dimanche, citada pela agência Reuters.

A segunda guerra civil Líbia devasta o país há cinco anos, após uma primeira guerra em 2011 que derrubou Muammar Gaddafi. O período político pós-Gaddafi foi marcado por grande divisão entre fações políticas, degenerando a partir de 2014 em nova guerra civil.

O chamado governo de Tobruk conta no terreno com o ENL de Haftar, e também com apoio aéreo do Egipto e Emirados Árabes Unidos. Controla a zona leste do país e praticamente todo o seu interior desértico.

Do outro lado, o Governo de Acordo Nacional (também conhecido como governo do Congresso Nacional, ou de Salvação Nacional), controla a capital Tripoli e a zona costeira em seu redor, no ocidente do país. É o governo reconhecido internacionalmente, e conta com apoio no terreno da Turquia, Qatar e Sudão.

Há ainda fações e grupos armados mais pequenos no conflito, muitos de inspiração fundamentalista islâmica, cujas filiações são flutuantes, mas tendem mais para o governo de Tripoli quando escolhem um lado. Um fator que contribuirá para que os países ocidentais, apesar de apoiarem oficialmente o governo de Tripoli, não sejam totalmente hostis a Haftar, em quem vêem uma força contra o fundamentalismo.

No início de abril, o Exército Nacional Líbio de Haftar lançou uma ofensiva para tomar Tripoli e derrubar o Governo de Acordo Nacional, liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Serraj. Até agora, o ELN não conseguiu furar as defesas na frente sul de Tripoli, mas a ofensiva já levou cerca de 75 mil pessoas a abandonar as suas casas e matou mais de 500. Muitas dos deslocados foram parar a centros de detenção de migrantes já lotados e com falta de condições.

Segundo a Reuters, o presidente francês Emmanuel Macron reuniu esta semana com Haftar em Paris e tê-lo-á instado a declarar um cessar-fogo. Na entrevista no Journal du Dimanche, Haftar mostrou-se pouco recetivo: "Claro que uma solução política continua a ser o objetivo. Mas para voltar à política, primeiro temos de acabar com as milícias". E mostrou-se também pouco conciliatório com Ghassan Salame, o chefe da missão da ONU no país: "A partição da Líbia é o que os nossos adversários desejam. Talvez seja também o que Salame deseja".

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